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A Paixão de São Julião Hospitaleiro

Espectáculo que abriu a reentré do São Luiz.

“A Paixão de São Julião Hospitaleiro”, uma encenação de António Pires com adaptação de Maria João Cruz, esteve em cena no Teatro Municipal São Luiz entre 6 e 23 de Janeiro.

Gustave Flaubert publicou a Lenda de São Julião Hospitaleiro, em 1877, nela encontra as suas raízes nos vitrais do séc. XIII da Catedral de Ruão e na lenda que os rodeia. Também Amadeo Souza-Cardoso ficou impressionado com a história contada nos vitrais e, em 1912, copiou-os escrupulosamente.

António Pires encontra nesta história o denominador comum que abordou noutros trabalhos, a luta do homem com o seu destino. Maria João Cruz assina a adaptação, a colaboração é antiga. Juntos já levaram aos palcos outros textos não teatrais, como “Werther” e “Moby Dick”. A paixão de São Julião Hospitaleiro contou com música ao vivo e dança (hip-hop), e com a interpretação de Maria Rueff, David Almeida, Graciano Dias, Maya Booth, Marcelo Urgeghe e Mitó Mendes e dos bailarinos André Cabral, X2 Rock, Sugah Funk.

Neste espectáculo multifacetado observamos uma abordagem inovadora com um misto de clássico e contemporâneo que leva-nos a descobrir esta narrativa trágica em que são abordados temas muito fortes e dramáticos como o parricídio de uma forma mais suave, pontuada por momentos de comédia. O vídeo, a música e a dança presentes são elementos chave que ajudam nesse processo e enriquecem o texto. O vídeo da autoria de João Botelho, cria diferentes ambientes que ajudam a narrativa da história de uma forma mais real criando uma perspectiva visual, que proporciona uma interactividade entre os actores e público que não seria possível apenas com um cenário bidimensional. Aliados ao vídeo a música acompanhada pela voz de Mitó Mendes (vocalista dos Naifa) e a dança (hip-hop) trazem ritmo e contemporaneidade à peça.

O actor Graciano Dias (São Julião) transmite o dramatismo necessário à sua personagem e fá-lo de uma forma precisa e interessante.

“Senti a necessidade do ar livre, da necessidade da floresta e de pôr os vitrais do Amadeo Souza – Cardoso, daí o vídeo da autoria do João Botelho”, diz António Pires sobre a incursão do vídeo no espectáculo.

“È importante pôr no teatro isso, pôr no palco a força da humanidade e faz-nos pensar”, afirma em resposta à RDB sobre a luta do homem contra o seu destino.

Sem dúvida António Pires fez-nos pensar que a inovação é a força do universo criativo.

Fotografia de Rui de Freitas



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