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A porta fechou-se e a casa era pequena

Mas antes perguntaremos do lado de cá da porta “Quem é?” e do outro lado surgirá a resposta.

Duas personagens iniciam a sua demanda pela compra da casa perfeita. Perfeita para o cliente e para o agente imobiliário que quererá satisfazer o seu cliente – pelo menos, é o que supomos que todos querem. Porém, perdidos entre os defeitos dos imóveis, as fantasias acerca do lar ideal e a sua relação oscilante (mais ou menos próxima consoante a temática das suas conversas), geram-se sentimentos de insatisfação e incerteza que chegam ao extremo de frustração até na escolha das palavras.

Embora o cenário se apresente despido de adereços elucidativos das características de cada casa visitada, percebemos que cada uma representa um imaginário de fácil acesso, através da descrição e reacção das personagens, sendo por vezes, ilustrada a convite da música. Típica de Lisboa ou apenas um tipo de edifício, cada casa é desconstruída com (pre)conceitos idealizados e debatida com sentimentos de recusa ou aprovação na procura de um entendimento, para finalizar um negócio. Finalização essa, que implica uma consequência evidente, que será a cessão da sua relação temporária, pré-estabelecida em função dos seus interesses pessoais. Apesar de não ser muito explorada, esta problemática poderá ser significativa para o desfecho do espectáculo.

Nesta tentativa de fechar uma venda com sucesso, o agente imobiliário adopta uma estratégia de ter calma e saber conquistar o cliente com subtileza, porém sem grande empreendimento no seu negociar de palavras. Para o senhor da agência as objecções do cliente soam desanimadoras, porém, são estas que mantêm o “diálogo” (na maioria das vezes em registo de monólogo) e dão pistas ao vendedor para satisfazer as suas expectativas (mais ou menos confusas ou contraditórias), marcando o desenrolar da trama “em registo anti-épico” (citando o autor).

As personagens resolvem assim as suas divergências, seja pela via facilitada do conformismo e submissão, quer pelo recorrer à violência em casos extremos.

O Teatro do Eléctrico subintitula “Uma Comédia de Imóveis” caracterizando as suas personagens como “Dois imóveis [que] procuram casa”, contudo, a sua acção dramática é tão veloz, que a sua actuação, em duração aproximada de 1 hora, só encontra estacticidade quando acaba, enquanto lembrança de um momento de humor bem passado.

“Abriremos agora. Abriremos agora esta desavergonhada porta.”



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