À procura de Júlio César

Júlio César procura motorista em Lisboa.

Revisitando os clássicos da cultura ocidental, o Teatro da Garagem e o Teatro dos Aloés levam a cena, até 21 de Maio, no Teatro Taborda, em Lisboa, a peça “À Procura de Júlio César”. Um texto de Carlos J. Pessoa inspirado na obra de William Shakespeare, “Júlio César”, que junta as duas companhias numa experiência teatral, certamente a duas mãos, mas também a dois tempos e dois espaços!

Em “À Procura de Júlio César”, Carlos J. Pessoa conta-nos a história de um actor, João José, que na casa dos 50 desiste da sua profissão e procura emprego através de um anúncio de jornal que diz apenas: “Júlio César procura motorista”!

Sem qualquer morada onde se dirigir, João José deambula pela cidade em busca de alguém que lhe possa dizer onde está Júlio César… Neste conturbado percurso João José depara-se com personagens caricatas e encantadas que, sem lhe dizerem onde está Júlio César, o ajudam a encontrar-se a si próprio e a retomar o seu ofício de actor, conduzindo os sonhos de todos nós!

Mas esta é na realidade a segunda parte deste espectáculo. Procurando adaptar a obra de Shakespeare, Carlos J. Pessoa escreveu este texto original que descreve a jornada de João José. No palco do Teatro Taborda encontram-se doze actores que vivem diferentes cenários, nem sempre reais, nem sempre ilusórios, que nos transportam para mundos encantados onde coabitam na perfeição funcionários da Loja do Cidadão, o Pai Natal, um agente de seguros, a Marilyn Monroe, uma costureira, o Zorro… Surpreendente, não?

“À Procura de Júlio César” começa um pouco antes, ainda fora da sala de teatro. Com uma vista sublime sobre a cidade de Lisboa, o público é convidado a assistir aos acontecimentos imediatos à morte de Júlio César. Aqui impera o texto de William Shakespeare, mas também uma adaptação superior de Carlos J. Pessoa que, em abono da verdade, sabe a muito pouco! Júlio César e as demais personagens, Cássio, Bruto, Marco António, e algumas belíssimas mulheres, confundem-se com o barulho da rua, com o bater das janelas, com o próprio público, com os discursos poderosos e com as luzes vibrantes da cidade…

Assim começa, assim termina “À Procura de Júlio César”… A vida da cidade invade o teatro e o teatro dá vida à cidade!



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