“A Rainha das Rãs não pode molhar os pés” | Davide Cali e Marco Somã

“A rainha das rãs não pode molhar os pés” | Davide Cali e Marco Somà

O “Triunfo dos Porcos” contado às crianças

«Era uma vez um lago, e nesse lago havia rãs. Rãs que passavam os dias a fazer coisas de rãs: saltavam e apanhavam moscas, dormiam sestas ou brincavam com as libélulas.» É desta forma clássica que começa “A rainha das rãs não pode molhar os pés”, história de Davide Cali com ilustrações de Marco Somà – a fazerem sonhar com uma viagem de Alice ao mundo réptil -, que explica aos mais novos o que é essa coisa do “poder”.

À volta do lago tudo era pacífico. As rãs faziam coisas de rãs, os sorrisos eram uma constante, todos tinham uma grande vida, sem precisarem de pensar em pagar renda ou na entrega da declaração de IRS. Até ao dia em que, enquanto cantavam «GROAC, GROC, GROAC» durante um jantar de Verão, ouviram um estranho «PLOC» a ecoar no lago. Todas as rãs mergulharam em busca do que teria feito tal barulho e, pouco tempo depois, uma delas saiu de lá com uma coroa, sendo de imediato coroada rainha das rãs.

Mesmo que a rã coroada não faça a mínima ideia do que deverá fazer enquanto governante suprema, há rãs da velha guarda que o sabem: «A rainha das rãs não pode falar com as outras rãs, não pode molhar os pés, e tem direito a uma folha larga só para ela. A rainha das rãs não se pode cansar, deve dormir bastante, apenas comer moscas, dar ordens e castigar as rãs que não lhe obedecerem de imediato.»

A vida no lago transforma-se. A rainha torna-se uma déspota e, aos poucos, começa a nascer o desejo de mudança, o questionar do poder instituído: «Mas por que razão é que uma rã que encontra uma coroa passa a ser a rainha?», pergunta-se a certa altura. Os dias passam e, no lago, organiza-se um concurso de saltos para a água para divertir a rainha. É então que alguém tem uma ideia que pode mudar o destino do lago…

“A rainha das rãs não pode molhar os pés” tem tudo para se tornar no primeiro contacto dos mais novos com o universo da política moderna: há o desejo obsessivo pelo poder, a hierarquização da sociedade, o estado de corrupção e o compadrio, a ânsia por uma revolução que mude a mecânica social. Qualquer coisa como “O Triunfo dos Porcos” para as novas gerações. Mais um lançamento da bruáa que leva o selo “recomendado para miúdos e graúdos”.



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