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A Rede Social

Um filme urgente. Será que consegue aguentar a passagem do tempo?

O perigo de fazer um filme como “A Rede Social” é que esta estória baseada em factos reais está ainda a acontecer. Talvez tenha sido esse o desafio. Embora largamente ficcionado, o filme tem um timing demasiado certo para ser apreciado devidamente, valendo mais como um documento essencial da era social que vivemos.

Mas não é um documentário. Não há complicados artifícios de realização nem uma estética demasiado apurada. Esse é o estilo de Fincher nestes últimos filmes, começando com “Zodiac” que também era baseado numa estória real, embora com um distanciamento que permitiu, na altura, apreciar o filme como uma obra fechada. “Zodiac” assemelha-se a este último “A Rede Social” na forma como o realizador pinta a narrativa, planos-sequência perfeitos, inúmeros planos gerais, uma certa superficialidade na caracterização e humanização das personagens: aqui é a estória que conduz a emoção e não os intervenientes.

Um filme como “A Rede Social” tem que apresentar um argumento sem falhas e é isso que Aaron Sorkin nos oferece, uma narrativa fechada sem pontas soltas, perfeita na forma como introduz elementos complicadíssimos como linguagens de programação, servidores web ou marketing, seduzindo qualquer espectador, mais letrado ou não nestas questões, para a sua estória, sempre com um humor eficaz. Essa é a grande força do filme. É inteligente também na forma como quebra o tempo real para avançar ou recuar na narrativa, regressando sempre ao ponto fulcral do filme (e também o tempo presente), os dois processos em tribunal que o protagonista tem que resolver, o que só nos é apresentado após conhecermos o início, o conflicto que despoletou a narrativa: a tentativa da personagem Zuckerberg de mostrar os seus dotes de programação como forma de superar-se e mostrar o seu valor após a sua namorada ter terminado a relação.

David Fincher filma este argumento com mestria, sabendo envolver as suas personagens com o meio em que circulam, sem excessos de protagonismo ou emoção, aliás, emoção é algo que não abunda neste filme, não que isso signifique um filme sem sabor, antes pelo contrário: ao colocar os acontecimentos à frente das personagens permite ao protagonista e secundários exibirem ainda mais as suas condições humanas. Mesmo Justin Timberlake, que é um actor improvável, desempenha o seu papel com convicção – não há espaço para falhas no filme de Fincher.

“A Rede Social” pode ser um filme urgente mas é inteligente o suficiente para sobreviver, até porque a mistura de termos correntes como blogs, servidores, programação, informática e marketing ou gestão está tão bem posicionada dentro da narrativa que o filme consegue o prodígio de fazer-se entender e enamorar-se com todo e qualquer espectador, A Rede Social nunca se afasta do seu propósito de bom entertenimento. Essa inteligência é a forma com David Fincher amadureceu no seu papel de realizador. Pode parecer que procura o sensacional e o fantástico como forma de agradar às massas, mas se o faz é com uma excentricidade métrica e isso é um valor que ninguém lhe pode roubar.



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