“A Revelação” | Lissa Price

“A Revelação” | Lissa Price

Para quê a pressa?

Uma distopia para jovens adultos. Esta frase poderia servir de cartão de apresentação a Destinos Interrompidos, a saga em dois volumes – até ver – criada por Lissa Price, que nos apresenta o corpo e a mente humana como viaturas de aluguer colocadas ao dispor dos mais abonados, conhecidos neste estranho futuro como os Terminantes.

A revelação” (Planeta, 2014) retoma a acção no ponto em que a Destinos Primordiais, uma agência de aluguer de corpos colocada ao serviço dos poderosos Terminantes, encerrou as suas portas.

Porém, o cenário não é tão animador quanto parece. Callie, a nossa heroína, tem um neurochip implantado no cérebro, o que a deixa – e a todos os outros com chips instalados no cérebro – vulnerável aqueles que quiserem entrar na sua cabeça, obrigando-a a fazer coisas contra a sua vontade ou, mais temível ainda, a terminar a existência terrena com uma explosão accionada pelo chip.

Determinada a vencer o medo e sobretudo a poder dar ao seu pequeno irmão uma vida confortável, Callie vai tentar encontrar o Velho – e fundador da Destinos Primordiais – que lhe vai minando os pensamentos e as ideias mesmo que, na aparência, tal ideia não passe de um decreto de suicídio.

Em relação ao primeiro livro, a narrativa surge em “A revelação” um pouco mais apressada, quase mecânica. Há também algum desencantamento em relação à personagem principal, de certa forma recuperado pelo surgimento de Hyde, um jovem com uma personalidade tão ambígua que deixa o leitor envolto numa intriga que só se desmontará nas últimas páginas.

Apesar de “A revelação” ser apontado como o livro final da série, Lissa Price deixou algumas pontas soltas caso decida mudar de ideias. O que, tendo em conta o que ficou por explicar – e o final apressado -, talvez não seja de descartar.



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