A Rosa da Mouraria

Lisboa segundo a Garagem.

O Teatro da Garagem leva a cena até 30 de Julho, no Teatro Taborda, em Lisboa, a peça Rosa da Mouraria. Uma procissão por sete “(es)passos”, que são cenas, onde Carlos J. Pessoa, autor e encenador do texto, nos vais contando histórias de “fado” de uma Lisboa dos nossos dias.

Para isso conta com o trabalho de nove actores (Ana Palma, Bruno Coelho, David Antunes, Fernando Nobre, Luís Barros, Luísa Cruz, Maria João Vicente, Miguel Mendes e Vitor d’Andrade) que se desdobram em situações, mais ou menos verosímeis de acontecer, na urbana, e ao mesmo tempo tradicional, capital portuguesa. Entre elas os “velhinhos” do banco de jardim que opinam sobre tudo e sobre nada; a solidão da cidade, que esvazia de sentimentos um atormentado polícia e, como de fado se trata, os amores e desamores, no fundo a vida e a ténue barreira que a separa da morte.

À semelhança do que tem vindo a fazer nas últimas criações (esta é a 44ª) o Teatro da Garagem olha o mundo à sua volta e leva-o para dentro do teatro. No entanto, esta Rosa da Mouraria não se limita às sufocantes paredes da sala principal. Os espectadores são convidados a seguir em procissão por imprevistos e surpreendentes espaços do Teatro Taborda. E o fado, que serviu de inspiração à construção do texto, é a pauta que une as sete cenas da Rosa da Mouraria e marca o ritmo das cerca de 30 personagens, bem afinadas, que compõem a mais recente criação do Teatro da Garagem.

Provavelmente não imaginaria ver uma peça de teatro sobre a cidade de Lisboa que começa numa sala de bilhar onde está em jogo a vida e se canta o fado; uma peça passa por um jardim onde coexistem uma cabra, uma plantação hortícola, uma piscina de borracha, um bar de arraial, um assador de sardinhas (gostamos de acreditar) e um banco de jardim onde “vivem” 4 velhinhos que bebem “xiripis”, falam da vida e têm como herói o Noddy; uma peça que visita um beco de cimento ladeado por um caniçal onde impera a violência física e psicológica, e onde o fado, que muitas vezes parece ser a salvação, conduz ao amor. Neste caso um amor impossível, abençoado pelos anjos da capela do Taborda e uma vez mais pela canção do destino que, como por encantamento, conduz o público de volta ao interior do teatro. É lá que se representa o nascimento e a morte, o início e o fim, o religioso e o profano…

Retomando, provavelmente não o imaginaria, mas esta é a romaria que a Rosa da Mouraria tem para oferecer ao seu público, aos lisboetas e à cidade de Lisboa. Rosa da Mouraria é, por isso, a cidade de Lisboa vista aos olhos do Teatro da Garagem.



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