“A Viagem Sombria” | Leonel Pinheiro

“A Viagem Sombria” | Leonel Pinheiro

Uma dimensão, sem dúvida, sombria

A Viagem Sombria” (Euedito, 2011), de Leonel Pinheiro,  revela-se um misto de incoerência e inconsistência literária; em poucas palavras, o autor imprime as suas ideias através de uma escrita ‘falada’. Talvez por falta de prática, ou simplesmente por falta de queda para a escrita, não consegue criar uma narrativa isenta de trambolhões gramaticais, confundindo muitas vezes o leitor e tornando a desencriptação da obra um processo árduo e cansativo.

Com um elemento muito dark, o que poderia ser um ponto favorável, a obra chega a ser um pouco infantil. O autor revela a sua grande paixão pelo mundo fantástico e sombrio de uma forma pouco amadurecida e por vezes sem nexo, deixando ideias pela metade e contos ‘inacabados’. Um dos grandes pecados das edições de autor é esse mesmo, tanto podemos estar perante um pueta ou um poeta.

Pouco há a dizer sobre a obra em si. Uma compilação de estórias onde as personagens se encaixam na leitura mainstream da actualidade, ou seja: vampiros, fadas e outro género de criaturas fantásticas. Cada conto revela um grau de delírio que faz com que o leitor não os leve a sério; aliás, a imagem global é a de um autor enleado nos fios da sua própria escrita. Apesar de se notar um grande toque de paixão na voz do autor, Leonel Pinheiro não consegue partilhar as suas ideias da uma forma nítida, transmitidas através de um português básico e macarrónico.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This