“A Volta ao Mundo em 80 Pratos” | David Loftus

“A Volta ao Mundo em 80 Pratos” | David Loftus

Na minha cozinha cabe o mundo inteiro

Depois de tomar um pequeno-almoço costumeiro e substancial, que consistia num pedaço de peixe mergulhado em reading sauce, seguido de uma fatia de rosbife em sangue guarnecido de cogumelos e, para rematar, uma empada recheada de pedacinhos de ruibarbo e groselhas verdes – servida com queijo cheddar -, tudo acompanhado de algumas chávenas de chá de primeira qualidade, Phileas Fogg pegou nos jornais do dia.

À sua volta, os membros do Reform Club discutiam o recente roubo ao Banco de Inglaterra, prevendo que a polícia britânica nunca mais iria pôr a vista – e principalmente as mãozinhas – em cima do assaltante, uma vez que nesses tempos era já mais fácil chegar a um destino longínquo. Fogg concorda em absoluto, acrescentando que, com a chegada do Great Indian Peninsular Railway, se poderá dar a volta ao mundo em apenas 80 dias. Após uma discussão de cavalheiros, Fogg aposta 20000 libras com cinco membros do Clube de que conseguirá esse feito, qualquer coisa como percorrer o globo de uma ponta à outra em mil novecentas e vinte horas ou, se preferirem, cento e quinze mil e duzentos minutos.

É desta forma – ou muito perto disso – que começa “A Volta ao Mundo em 80 Dias”, o mítico romance de Jules Verne, motivo de inspiração para que David Loftus, fotógrafo que tem por hábito viajar pelo planeta para fotografar os melhores chefs, decidisse ele próprio empreender “A Volta ao Mundo em 80 Pratos“, livro que reúne 80 receitas dos seus chefs favoritos como James Oliver (que assina o prefácio), Sybil Kapoor ou Sarah Tildesley. A edição é da Civilização Editora.   

"A Volta ao Mundo em 80 Pratos" | David Loftus

O livro é graficamente exemplar, desde as fotografias dos pratos aos carimbos, dos separadores de viagem aos selos de correio, que fazem deste um ilustrado guia foggiano para o que de melhor se come por esse mundo fora. E que prova, como já o diz a sabedoria popular há muito, que os olhos também comem.

A viagem é longa e há muito por onde escolher: na Europa serve-se uma sopa de massa e feijão; no Egipto e Médio Oriente fatia-se um pão de tâmaras e café; na Índia os sentidos perdem-se com um bolo de laranja, malagueta de Caxemira e vodka; da Ásia e Oriente solta-se o beijo de Singapura; na América comem-se os clássicos ovos Benedict; na travessia do Atlântico prova-se um arenque fresquíssimo, servido com batatas à la Suedoise; e, no regresso à Grã-Bretanha, termina-se o festim empratando umas tostas com chocolate dos pobres.

Aceitem um conselho de amigo e deixem que David Loftus vos fale ao ouvido e desperte alma da criação: «Ligue o fogão, escolha o destino e prepare-se para partir.» Afinal de contas, quem disse que o mundo inteiro não pode caber numa só cozinha? 



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