Abbas Kiarostami

A Cinemateca Portuguesa inaugurou um ciclo dedicado a este realizador que durará até 25 de Março.

A propósito deste ciclo que decorrerá até ao próximo dia 25 de Março, aqui fica uma breve biografia deste realizador Iraniano que nos trouxe uma visão da cultura oriental-iraniana jamais experimentada por nós, ocidentais.

Nascido a 2 de Junho em Teerão, no Irão, Abbas Kiarostami diz que teve uma infância solitária, interessado desde cedo pela pintura e pela poesia. Mostrou desde cedo um talento para o desenho. Participou numa competição de arte gráfica e ganhou uma bolsa escolar com isso. Aos 18 anos de idade, saiu de casa com a intenção de estudar pintura. Ainda não desconfiava que seria realizador cinematográfico.

Entre 1960 e 1968, desenhou imensos títulos para filmes, incluindo “Gheyshar” de M. Kimai. Ao mesmo tempo que trabalhava num posto de polícia, ia a palestras na Escola de Belas Artes. Em 1969, juntamente com um amigo, fundou o departamento de cinema do Instituto de Desenvolvimento Intelectual para Crianças e Jovens Adultos. Entre muitos que por lá trabalharam contam-se A. Naderi, B.Beyzao, D. Mehrjui, E. Forozesh. D. Panahi e Sobrah Sh. Salesso.

Em 1970, Abbas Kiarostami fez várias curtas-metragens e aparições. O seu tema por excelência é as crianças. Não se trata de uma aproximação sociológica, mas sim a intenção de dignificar um período da vida e demonstrar que as crianças escondem histórias interessantes e universais. Há um optimismo presente na sua obra.

O seu primeiro grande êxito surge em 1974, com “The Traveller”, um filme de ficção. O seu êxito internacional só chegaria 15 anos depois quando apresentou no Festival de Locarno, “Where Is the Friend’s Home?”, a primeira e improvisada parte da trilogia sobre a rodagem do filme “Life, and Nothing More”. Entre 1974 e 1989, continuou a trabalhar mas, maioritariamente, no campo documental realizando vários trabalhos sobre o sistema educativo iraniano que tem sérios problemas com a censura.
Enquanto realizador, prefere trabalhar com amadores e fora dos estúdios. O som directo, a falta de música e os silêncios prolongados compõem o espaço sonoro do cinema de Abbas Kiarostami. Detrás do silêncio, existe uma atitude reflexiva do realizador. É, sem dúvida, o realizador iraniano com mais projecção internacional da actualidade graças a ele e à sua obra.

O cinema de Kiarostami centra-se na economia das palavras e oferece-se uma alternativa viável ao excessivo cinema dito de mainstream. Os seus filmes também encorajam a audiência a reflectir e a participar criativamente nos mesmos. Desafiam os estereótipos dos espectadores e consciencializam-nos para as suas próprias falhas. Abbas Kiarostami não se interessa em dar uma imagem fantasiada do Irão mas sim na realidade vivda naquele País. Cada filme seu reflecte o conhecido conceito de “aldeia global” de Marshall McLuhan e a desilusão com a nossa “própria imagem” enquanto separada, imune e distante do “outro”.

O seu trabalho é reconhecido pelo seu humor e poesia Chekovian. Já fez parte do júri de vários festivais de cinema: Locarno em 1990, Cannes em 1993, Veneza em 1995, San Sebastian em 1996. Ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 1997 com o seu filme “The taste of cherry” e, em Veneza em 1999, recebeu o prémio especial do júri pela película “The wind will carry us”. Em 13 de Dezembro de 1997 recebeu a medalha Fellini da UNESCO.

Com todos estes argumentos, desperta-se, no mínimo, a curiosidade para se ir conhecer a obra deste realizador iraniano. Até 25 de Março, na Cinemateca Portuguesa.



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