“Achimpa” | Catarina Sobral

“Achimpa” | Catarina Sobral

Muito cuidado com o falso saber

A Língua falada e escrita tem muito que se lhe diga. Ainda hoje, e após a implementação do novo acordo ortográfico da língua portuguesa, reina um desacordo que teima em não chegar a consenso. Se em Portugal se vai escrevendo de forma diferente em tudo o que é jornal, livro ou revista, no Brasil ecos recentes dão conta de que a aplicação do acordo vai ser adiada até ao final de 2015. Porém, mesmo com este aparente trambolhão linguista, a comunicação vai seguindo o seu caminho sem desacatos de maior.

Achimpa”, escrito e desenhado por Catarina Sobral, penetra no mundo da língua e de quem a vai moldando, seja pela invenção de palavras como da sua própria origem, formação e enquadramento.

Tudo começa quando um investigador faz uma descoberta que promete agitar o mundo gramatical. Desaparecida desde o tempo dos afonsinhos, uma palavra é encontrada por acaso num dicionário em estado de conservação pouco recomendado: ACHIMPA. A notícia espalha-se rapidamente e todos querem usá-la, mas ninguém sabe o que significa, ou sequer a classe de palavras a que pertence. Até que alguém se lembra de perguntar à Dª Zulmira, de 137 anos de idade, se alguma vez tinha ouvido falar daquela palavra esquisita. E logo a Dª Zulmira responde afirmativamente, mas com um pequeno reparo: «…não é achimpa, mas achimpar, um verbo da primeira conjugação.» A partir daqui começa um divertido jogo de palavras e uma vertigem linguista capaz de entontecer muito gramático, onde a palavra se vai tornar numa moda a que todos querem aderir de forma incondicional.

Pintado na duplicidade do lápis e do pastel, “Achimpa” é uma crítica em estado cómico ao falso saber e a quem, puxando pelos títulos, julga deter o dom da palavra. Um livro muito divertido, sobretudo para quem gosta de brincar com as palavras e de as estudar.



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