Active Child @ LUX

Active Child @ Lux

Carta de São Valentim a Active Child.

* Quando entras em palco, os aplausos são tímidos, ainda que cada passo a que te ofereces te aproxime mais da aclamação geral nesta sala que é o Lux e que nos proporciona o ambiente perfeito para este nosso primeiro encontro. Não me importo de te partilhar com mais gente; quando te mostras, o silêncio é total, quando te escondes, a reacção é total. Pegas na harpa e emprestas a guitarra, ofereces sons ora delicados, ora dados ao desespero. Mostras-te dado ao pormenor, és ambicioso – a tua voz é elástica, alcança registos operáticos e balança entre várias harmonias vocais, essa mesma voz que usas para nos dar as palavras certas e com as quais prolongas a tua/nossa dor até não dar mais – e tens uma saudável tendência para o épico.

Ofereces-nos batidas secas e sincompadas, coisas que deves ter gravado no quarto – tens tanto de músico de quarto como de um elemento dos Sigur Rós, esses que nos transportam, tal como tu, para paisagens belas e oníricas. Quando trazes o baixo e os teclados à equação tornas-te vagamente dançável. Brincas com as electrónicas e ofereces-nos razões para fechar os olhos e deixarmo-nos levar. Fora de palco és uma personagem misteriosa, em cima dele tornas-te disponível ou acessível. Dizes que te vais embora, mas anuncias logo o teu regresso, brincando com os nossos corações. Paras quando aceleras em direcção ao orgasmo – pedimos-te que regresses, mas tu não acedes. Sentimo-nos vazios, é quase meia-noite, dia 15 de Fevereiro. Até à próxima.

* Esta poderia ter sido a carta de qualquer um dos elementos do público que esteve no passado dia 14 de Fevereiro, dia de São Valentim, no Lux, em Lisboa.

Fotografia por Rui Soares. Galeria fotográfica aqui.



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