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Adam Kesher

A juventude electrónica.

Os Adam Kesher são um jovem quinteto francês que faz pop electrónico energético e dançável como não se ouvr regularmente. O seu primeiro álbum, “Heading For The Hills, Feeling Warm Inside”, lançado em 2008, já mostrava algum potencial e gerou algum buzz mas foi agora o seu segundo, Challening Nature, lançado este ano, que revelaram verdadeiramente aquilo de que são capazes. “Hoje em dia não acho que o nosso primeiro álbum seja muito bom. Não tínhamos muita experiência em estúdio, não tivemos muito tempo, e não fiquei muito satisfeito”, diz-me por telefone Julien, vocalista da banda. “Quando fizemos o segundo disco, colocámos sobre nós próprios uma pressão enorme. Tinha mesmo de ficar algo que nos orgulhasse, algo muito mais coeso que o primeiro. Se não ficássemos satisfeitos, a banda acabava”. A banda não acabou, o segundo álbum foi bem recebido, e eles estão “muito satisfeitos” com o resultado final. Mais coeso e mais energético, “Challening Nature” mostra canções mais bem pensadas e executadas, e confirma a banda como uma das maiores promessas dentro do género.

Desta vez, a banda em si tinha mais experiência em estúdio e mais ideias, e este segundo álbum foi produzido por um nome que coloca logo um sorriso na cara de qualquer amante do género: Dave One, dos Chromeo. “A ideia de o termos a produzir o disco não foi nossa” explica o vocalista. “Um amigo nós da editora achou que era melhor ser alguém de fora a banda a produzir o disco, e lembrou-se dele. Nós concordámos, eles contactaram-no, e depois começámos logo a trabalhar”. Uma produção que não correu propriamente sobre rodas; os Chromeo e os Adam Kesher são bandas que partilham uma mesma raiz musical mas. ao que parece, essa mesma raiz não passa por Dave. “Ao início foi muito complicado arranjar forma de comunicar com ele, porque temos gostos muito diferentes. Nós gostamos mais de música alternativa, sons mais electrónicos… ele é muito mais mainstream, gosta mais de coisas como os Fleetwood Mac, Kings of Leon, coisas assim. Ao início foi muito complicado, e mesmo depois ainda chocávamos algumas vezes, mas foi uma parte importante do disco e tudo acabou por correr bem”.

Aliás, o segundo disco correu no geral muito melhor que o primeiro. “No primeiro não conseguíamos fazer aquilo que nos ia na cabeça, com este já tínhamos mais experiência e correu tudo muito mais facilmente. Conseguimos colocar em disco as ideias que tínhamos em papel”. De qualquer das maneiras, a banda funciona, ainda assim, de forma muito intuitiva. “Cada canção é uma canção, não temos nenhum método. Nalgumas é a letra que surge primeiro, noutras é a melodia. Vai variando imenso”. Os membros da banda são ainda bastante jovens (“Por exemplo, cantamos em inglês por sermos tão jovens: somos da geração da Internet, e é a língua que nos sai naturalmente”), e muito irão ainda aprender mais ao longo do tempo. A música que fazem reflecte isso mesmo: uma banda que cresceu numa era recente onde a electrónica se começa a afirmar mais cada vez mais. Em particular a electrónica que vem de França, que já há uns anos vive um autêntico fenómeno nesse aspecto. “Estamos bem cientes desse fenómeno de que falas, e foi uma grande influência para nós. Primeiro os Daft Punk, mais recentemente os Phoenix, todas essas bandas saíram daqui e são grandes influências nossas. Mas o que muita gente não percebe é que durante anos França foi um sítio terrível a nível musical, não se fazia nem se ouvia nada de jeito. Só agora é que isso começou a mudar, e agora do nada começam a surgir todas estas bandas óptimas dentro deste género”.

E com tantas bandas a sair, o medo de ser apenas “mais uma” está sempre presente. “Tentamos fazer algo único, claro. Sabemos bem que o tipo de música que fazemos hoje começa a tornar-se banal, e queremos ser mais que apenas mais uma banda no género”.

E conseguem. Energéticos, directos e efusivos, o estilo dos Adam Kesher, nome que vem de uma personagem dum filme de David Lynch (“Adorávamos fazer algo em Cinema, mas não somos propriamente os Daft Punk… Não é propriamente fácil arranjar um realizador grande que queira trabalhar connosco”), consegue ser interessante dentro dum género que hoje em dia está cada vez mais a industrializar-se. “Ao vivo, tentamos transmitir a mesma energia que existe nas nossas canções. Estamos ansiosos por começar a tocar lá fora”.



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