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“Agonia Irreversível”

A Alegoria da Caverna sobe ao palco da Comuna. João Tempera e Carlos Paulo dialogam entre si, fazendo uso das palavras de Juan Benet. Até 16 de Dezembro

Corpus e Pertés são uma dupla inseparável. Protagonizam a dualidade da vida. São prisioneiros numa caverna e, tal como acontece nos textos de Platão, é pelo diálogo que procuram a Verdade. Entre a luz e a sombra, o amor e o ódio, o preto e o branco – onde se encontra a lucidez?

Os espectadores são convidados a entrar na caverna: a sala nova da Comuna assemelha-se ao mundo de Platão, aquele onde os prisioneiros consideravam que as sombras projectadas eram a verdade das coisas. Mas há um dia em que um dos prisioneiros se solta. E segue em busca da origem das sombras. E nesse processo existe dor – os olhos não estavam preparados para conhecer a luz. Esse processo doloroso é aquele que nos conduz à liberdade, pela lucidez. Esta, já dizia o poeta, dói muito. Mas faz-nos crescer. Abre-nos a porta às possibilidades de escolha.

Para Carlos Paulo, a escolha de Juan Benet justifica-se pelo facto de ser um texto que ajuda a reflectir, a questionar, e inclui momentos de humor. “O texto não dá lições de moral; acredito que o teatro é um espaço de liberdade e que o espectador deve ser livre para dialogar com o texto e tirar as suas lições, se assim o entender”.

O texto e a interpretação dos actores revela-se exigente para com o espectador. “Há uma espécie de puzzle no texto”, diz Carlos Paulo. Há jogos de lógica que são levados à exaustão e uma voz que nos diz coisas, que nos interpela, que nos adverte, que nos esclarece, que nos confunde.

O Teatro da Comuna há muito que nos apresenta propostas de qualidade. Exemplos disso são os trabalhos “E não se pode matá-los?” ou “A Controvérsia de Valladolid”.

Ao público pede-se que reflicta e questione, com sentido de humor e com a noção de que só o amor nos pode salvar. Um amor consciente e lúcido. Mas sempre o amor.

“Agonia Irreversível” está em cena até 16 de Dezembro. Às quartas e às quintas o preço do bilhete é “de amigo”: apenas 5 euros.



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