Alain Caron

Saibam tudo sobre este canadiano que é considerado um dos maiores nomes do jazz mundial.

Alain Caron é natural do Quebec. Nasceu e foi criado numa quinta, em St. Eloi, mas por acasos do destino não seguiu a agricultura. Começou a tocar baixo em vários clubes com apenas 9 anos e foi aprimorando a sua técnica com bandas de jazz e blues locais. Até que um dia, sentindo a necessidade de algo mais na sua formação musical, inscreveu-se num curso de Verão na Berklee College of Music. Em breve, com o seu talento, já tocava em várias jams com alguns dos melhores jazzmen de Boston. Para além desta formação, teve também lições por correspondência com Charlie Banacos, um dos grandes mestres da improvisação.

Um dos 1ºs projectos mais sérios no mundo do jazz foi com os Vic Vogel Big Band, nos finais dos 70’s. Foi um passo para Caron encontrar um dos projectos que iria mudar a sua vida, em 1977, denominado UZEB. O nome da banda é de facto estranho, e era esse o objectivo, mas antes de UZEB era Eusebe jazz… O objectivo, segundo Caron, era ter um nome sem nexo, pois na altura já andavam fartos dos nomes certinhos para bandas.

Agora, com Michel Cusson, guitarrista, e Paul Brochu, baterista, inicia-se uma relação que irá durar 15 anos. A linha seguida era do jazz fusão e, com cerca de meio milhão de cópias vendidas no mundo inteiro, sem qualquer ajuda dos EUA, pode considerar-se um projecto de sucesso. Os EUA nunca acolheram Caron enquanto um virtuoso do baixo, mas o seu nome poderia estar sem vergonha ao lados de nomes como Victor Wooten ou Michael Manring. A grande falta de projecção de Caron deve-se infelizmente a este facto, já que os seus discos não são lançados no EUA. Mas Caron já ganhou prémios por todo o mundo, ainda nos UZEB (incluindo o conceituado Oscar Peterson Lifetime Achievemente Award, entregue no festival de Jazz de Montreal, em 1991), e a revista Downbeat declarou-os como uma das melhores bandas de jazz eléctrico de todos os tempos. Para quem não ouviu, por favor oiça. O groove, os slaps, a harmonia, os solos, são irrepreensíveis, e tocar baixo para Caron é como falar. E ele é um excelente orador.

O seu trabalho é de facto fabuloso, a sua técnica é irrepreensível e na altura Caron tinha um dos baixos midi mais avançados da época, que conseguia usar até ao limite com Michel e Paul. Os UZEB lançaram vários álbuns pela editora Avant Garde, entre eles Live in Bracknell (1981), Fast Emotion (1982), You be easy (1984), Absolute Live (1986), Live in Europe (1988) e finalmente World Tour ’90. É uma banda essencialmente live. Mas como tudo o que tem um início tem um fim, Caron e Michel, devido a algumas divergências, seguiram caminhos separados e em 1992 os UZEB chegaram ao fim. O fim foi em festa, perante 95.000 espectadores, no festival de Jazz de Montreal em 1992.

Caron inicia então um novo caminho, e cedo começa a trabalhar a solo no projecto Le Band, lançado em 1993. Um álbum que manifesta a técnina irrepreensível deste mestre do baixo. Neste ano colabora também com Leni Stern, e trabalha com Michel Donato, de onde resulta um álbum.

Em 1995 sai um novo álbum, Rhythm ‘n Jazz, sempre com um baixo ao melhor nível. É neste ano que Caron trabalha com Jean-Marie Ecay (guitarras) e Didier Lockwood (violino) num álbum impressionante denominado Caron, Ecay Lockwood.. Em 1997, um 3º álbum, Play, e de novo Caron tira as dúvidas a quem as tivesse, que se está na presença de um dos melhores baixistas do mundo. Os arranjos, a composição, os solos, tudo contribui para este título. Após 30 anos de relativo anonimato nos EUA, finalmente começa a ganhar destaque um dos grandes mestres do baixo eléctrico de 6 cordas. Para além de produtor, também assina alguns artigos na revista Bassics, dá formação um pouco por todo o mundo e claro, gosta de construir os seus próprios baixos.

Para quem gosta de jazz, Caron é incontornável.

Texto de João Fernandes



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