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ALFAMA É QUE É!

Dizem que está na moda, que é hipster. O quê? Já vão ver. A RDB foi ao coração Alfacinha, sábado à noite e só parou de madrugada. Preparem-se porque este não é um “bairro” qualquer. Aqui não se sai à noite…entra-se nela.

“Falem bem ou falem mal, interessa é que falem”. Entre casas pequenas e janelas abertas brinca-se com este dito e há no ar uma familiaridade e variedade cultural que põe toda a gente a falar dentro e fora dos bares cada vez mais e cada vez mais cheios. Ouve-se aqui e ali que Alfama está a ficar como o Bairro Alto. Os comerciantes não gostam da comparação e nós comprovámos que não. Cada bairro na sua colina, deixemos as comparações em paz mas paz só daqui a umas horas, Alfama não dorme, Alfama é linda e agora vai jantar.

Come-se bem e convive-se melhor na tasca atípica Supercalifragilistic, no nº 98 da Rua dos Remédios. À média luz chega um vulcão de morcela, galinha com chocolate e banana, panquecas de endívias com grelos, gelado de azeitona verde…até às duas da manhã tudo é expialidocious!

Em frente, cheira a guitarra portuguesa na Tasca do Chico de Alfama. Janta-se boa comida e ouvem-se fados até que a voz doa aos profissionais da casa, convidados e fadistas vadios. Dos copos às mesas tudo é cheio e ainda está a aquecer.

Descemos para uma Ginginha, esta é de Alfama no nª 12 da Rua de São Pedro, por onde se passa quase sem dar por ela mas nunca sem ela(s). Espaço pequeno e simpático serve de passagem para outras sonoridades.

Chegados ao beco do Arco de Jesus o OndaJazz tem jazz ao vivo de terça a domingo. O palco ao fundo estende-se para jantares de ementa contemporânea, sessões de poesia, espectáculos de dança, exposições de fotografia e pintura entre velas e bom vinho.

Perto e meio escondido, na Travessa do Chafariz del Rei, fica o Kuta Bar que transporta à Ilha de Bali, Indonésia. Há cocktails exóticos entre máscaras, puffs, cores, incenso e música chill out que evolui até de madrugada.

Lisboa é a eterna “menina e moça” mas a alquimia de rejuvenescer ninguém a sabe como Alfama, bairro emblemático mas até há pouco tempo esquecido pela Câmara. Agora a história é outra e conta-se Rua dos Remédios acima, abaixo e sem descanso.

O bar Sem Remédio, (troca as voltas ao nome da rua e promete curar os males da alma), é a prova viva ainda que pequena: Três mesas, bom ambiente, copos ao balcão e uma carta de chás de qualidade. Ricardo Fernandes quis “aproveitar a Câmara ter desburocratizado o bairro e apanhar o balanço que estava a ganhar como zona nocturna. Aqui não há excessos de álcool e vandalismo”.

Ao lado a Tasca do Chico já está quentinha, mais abaixo o Pout Pourri, bar intimista com encontro marcado às quintas-feiras com o jazz e bossa nova, varia com flamengo e música brasileira.

Na rua de cima a Típica de Alfama é café de dia, à noite bar e ponto de encontro incontornável. Os preços baixos, a simpatia do senhor Manel e o ambiente particular enchem-na até a porta. Quem passa junta-se à assídua multidão nesta rua estreitinha com conversas largas.

Mesmo abaixo no beco do Vigário o Tejo Bar abriga as suas típicas jam sessions com todas as sonoridades que as guitarras e a poesia inspirarem nesta casa de convívio fiel.

Segue-se para a Bela, bate-se à porta, diz-se sempre Bom Dia, e retribui-se o sorriso da Bela que nos recebe na sua casa aconchegante, com móveis típicos, porcelanas velhinhas e “gente jovem, nos seus trintas, a maioria trabalha e estuda e chega ainda com energia e ideias que me enchem as mesas de conversas, torna o espaço cultural”. Pataniscas, escabeche, salada de polvo e uma mousse de chocolate que voa nas horas, mais um copo de vinho, às terças declamação de poesia, fados ao domingo e bossa nova quando alguém puxa da viola. Todos os dias, como em casa, até às 4 da manhã.

Metros à frente O Arcaz Velho foi o primeiro a abrir em 2004, mas isso interessa? “A concorrência faz bem, torna esta aldeia uma zona de saída para se vir tomar um copo, agora nesta porta, depois naquela”, conta o dono Fernando Veiras. Boa decoração, música melhor e ao vivo de quando em vez, tapas variadas, saladas, tortilhas e tostas ricas.

Com a boca seca de conversas boas a sede só aumenta. Voltamos à Rua dos Remédios, nº 139, ao portão fechado da Mesa de Frades. Espera-se que acabe um fado, bate-se e se tivermos sorte damos de caras com Ana Moura ou Carminho que lá passam para cumprimentar com fado Pedro Castro, dono da casa e da sua conhecida guitarra portuguesa.

Descemos ao Club Rubik, ainda pintado de fresco, com música electrónica e agenda de dj´s. Sempre em frente o Bacalhoeiro, colectivo cultural de programação alternativa, música ao vivo e bailaricos em alta. Para trás o Clube Ferroviário e as suas festas até de manhã. E na doca o Lux do costume. Mas hoje criámos um novo costume, não?

Fotografia de Mário Vilar



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