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Ama-San

Mergulhar com um pano na cabeça nunca pareceu tão fixe

No Japão existem mulheres que levam uma vida inteira em busca de animais marinhos, essencialmente moluscos, no fundo do oceano – as Ama.
Ser Ama é uma profissão milenar bastante difícil uma vez que se recorre ao mergulho em apneia e a vestimentas e utensílios rudimentares.

Neste filme a cineasta Cláudia Varejão decidiu mostrar-nos o que é ser Ama. E decidiu fazê-lo de uma maneira curiosa.

Ama-san foi apresentado em 2016 como um documentário no festival DocLisboa, porém, da maneira que foi realizado não se parece com um. Não existem entrevistas. Não existe um narrador. Não existem pormenores sobre quando, como, e porquê surgiu esta profissão.

O que existe em Ama-San é uma história de um grupo restrito de Amas. Em quase duas horas ficamos a saber como 4 ou 5 mulheres ocupam os seus dias quando não podem ir mergulhar, as suas preocupações de saúde, as relações familiares, a maneira como celebram os dias de mergulho bem sucedidos, etc.

Por causa da fluidez com que Cláudia Varejão consegue captar o dia-a-dia dessas Ama quase parece que estamos perante uma obra de ficção, só que a história não é ficcionada. E infelizmente a vida das mergulhadoras não é tão fascinante como a sua profissão. Talvez num outro filme, assumidamente de ficção, as sessões de karoke* e passeatas nocturnas em busca de pirilampos resultassem, mas em “Ama-San” isso não acontece. A partir de uma certa altura dei por mim a escorregar na cadeira e a olhar para o relógio, ansiando para que os minutos passassem rápido para poder abandonar a sala escura de forma sorrateira.

“Ama-San” peca por ambicionar ser uma coisa (documentário) e parecer outra mas tem, no entanto, o mérito de conseguir uma cena brilhante. A cena do primeiro mergulho.

Quando de repente vemos as Ama a entrarem na água é como se nós, espectadores, entrássemos com elas. O silêncio do oceano, apenas quebrado pelos sons dos movimentos das mergulhadoras, é tão devastador que nos inunda a alma. É só pena que este efeito dure apenas uns segundos.

Estreia a 26 de Janeiro

 

 

* aliás em Lost in Translation a cena do karaoke resulta e muito bem



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