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American Hustle – Golpada Americana

Algumas destas coisas aconteceram na realidade…

Muito remotamente baseado nos acontecimentos que levaram à prisão de 7 membros do Congresso Americano e do Mayor de Camden, no Estado de Nova Jersey, este “Golpada Americana” não pretende de modo algum retractar com precisão e rigor a operação que durou quase 4 anos (1978-1981) e que ficou conhecido como: Abscam.

A base do filme é extraída do livro “The Sting Man” escrito por Robert W. Greene acerca de Mel Weinberg, o verdadeiro nome do burlão que no filme recebe o nome de Irving Rosenfeld (Christian Bale), e que foi figura de proa no esquema que o FBI montou para incriminar tanto políticos como mafiosos em actividade em NJ.

Não é pois por acaso que o filme começa com a frase: Algumas destas coisas aconteceram na realidade…

E também não será por acaso que apesar do entusiasmo da crítica, o filme tem sido severamente atacado pelos sectores “mais politizados” dos media, pelo ar ligeiro e divertido com que trata uma história que trouxe à superfície tantas falhas morais e processuais, tanto por parte dos homens da máquina política, quanto dos burlões de serviço e ainda do próprio FBI. Aliás torna-se muito difícil distinguir uns dos outros…

Quanto ao filme propriamente dito, não o considero fácil de enquadrar. Não é uma comédia pura, muito embora seja divertido e burlesco, mas antes um híbrido que liga o universo dos filmes sobre golpadas (todos eles inspirados no brilhante “The Sting” de 1973), policiais ao estilo de “Donnie Brasko” e até histórias de intriga política ao jeito de “City Hall”.

Tudo embrulhado numa estética dos finais dos anos 70, com camisas abertas e decotes prenunciados, cocaína na mesa e discotecas apinhadas de gente a dançar o “Hustle”.

A acção começa num momento fulcral da história, onde Irving (Bale), Sidney (Amy Adams) e o agente do FBI Richie DiMaso (Bradley Cooper) se preparam para reunir com o Mayor de Camden, o muito respeitado e querido pela população, Carmine Polito (Jeremy Renner).

De seguida somos levados, através de um flashback, a percorrer todo o caminho feito por Irving até se tornar um excelente burlão e a encontrar uma grande parceira para a vida e para os esquemas na figura de Sydney Prosser, que com o seu sotaque inglês e arrebatadores olhos azuis leva ao delírio os incautos que rapidamente se deixam envolver em esquemas mirabolantes, até serem espoliados das suas economias.

Um casal perfeito se forma, que nem a circunstância de Irving ser casado com Rosalyn (Jennifer Lawrence) e ter um filho, parece impedir.

Contudo a sua próspera actividade não deixa de ser notada pelo agente DiMaso, que vê nestes parceiros no crime, os cúmplices ideais para uma farsa de proporções épicas que juntará falsos Sheiks Árabes, políticos, chefes da máfia, agentes do FBI, os “nossos” burlões de serviço e até a exuberante Rosalyn, numa teia de enganos e traições que cobra o seu preço a todos os intervenientes.

“American Hustle” é um filme de poderosas interpretações.

Sou suspeito para falar de Christian Bale, porque sempre fui um admirador da sua capacidade de mutação e a sua intensidade (um amigo meu diz que ele interpreta sempre com a mesma expressão…não concordo, mas se tiveres razão Armando, que grande expressão o Bale tem…), aqui mais uma vez ele não desilude e incorpora ao longo das mais de duas horas de filme, um “Con Man” de meia-idade e com um penteado ridículo, que apesar de ser um homem de esquemas, tem consciência das repercussões e responsabilidades do papel que tem na história.

Cinco estrelas!

Notas muito elevadas também para Amy Adams e Jennifer Lawrence, que com estilos muito diferentes, conseguem ser simultaneamente: sedutoras, irritantes, divertidas e perturbadoras em doses XL.

Especial destaque para Bradley Cooper, que parece estar a especializar-se em personagens com personalidades borderline, que diga-se de passagem, lhe ficam muito bem.

A sua interpretação deste ambicioso mas inseguro agente do FBI, que encaracola o cabelo à noite e nega que está noivo, é deliciosa.

Robert de Niro decide aparecer como Victor Tellegio, um muito assustador mafioso, numa pequena mas intensa cena, que retracta os interesses do crime organizado junto das edilidades, coisa que obviamente não acontece em Portugal…

A fotografia é excelente, assim como a realização em geral e o guião que apesar de distante dos factos reais é de qualidade (David O.Russel e Eric Warren Singer).

“American Hustle” não é o melhor filme, entre aqueles que vi e que estão nomeados aos Óscares, mas é um filme muito bom.

E como os Globos de Ouro deixaram claro, um concorrente de peso.

Sai com um Satisfaz Bastante!

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