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Ana

Nova proposta dos Artistas Unidos em cena até 22 de Novembro.

Em cena no CCB até 22 de Novembro, “Ana”, a mais recente peça dos Artistas Unidos, apresenta um texto de José Maria Vieira Mendes, encenado por Jorge Silva Melo e que conta com interpretações de António Simão, Pedro Lacerda, Rita Brütt e Sylvie Rocha.

Ana. Substantivo Feminino. Palíndromo: Ana lê-se em ambos os sentidos e permanece Ana. Assim é a narrativa criada por José Maria Vieira Mendes: alheia ao sentido; alheia a um sentido e  alheia a múltiplos sentidos. As conversas desenrolam-se à rebelia dos ponteiros do relógio. Em Ana, José Maria Vieira Mendes joga com o tempo, criando uma história que se fragmenta gradualmente em momentos e em personagens, até ao completo estilhaçar de todas as suas possibilidades.

No palco, um sofá, uma cadeira, uma mesa, um candeeiro, estranhamente alinhados lado a lado, voltados para o espectador, simultaneamente assumindo a função de adereços de cena e evocando um espaço que não é uno, onde os elementos não comunicam como se, apesar de estarem aqui, pertencessem na realidade a lugares distintos.

No sofá, uma mulher que descansa, que sorri. Em pé um homem que lhe chama Ana e lhe diz “O nevoeiro lá fora. Não vale a pena. (…) Não se vê nada. Não se vê ninguém.”. E eis que, de súbito, o nevoeiro lá fora parece invadir a dramaturgia. O homem é, agora, outro. A mulher – que ainda é Ana – não se assemelha a si própria. Fala de si, mas também de outra, outra Ana. E novamente Ana se transforma e o homem também. Será a história de Ana ou será Ana das histórias?

Assim, mais do que contar-nos uma peripécia, Ana faz-nos reflectir sobre a efemeridade do momento a que chamamos presente, sobre  forma como as certezas e os desejos se diluem e atraiçoam e, acima de tudo, como nos substituímos um aos outros, perante o terror de nos encontrarmos sozinhos

A dado momento uma Ana pergunta a um homem: “E se tivéssemos avançado?”, resumindo a essência de um texto que “baralha e volta a dar” a tradicional linearidade dos contos  no tempo do “era uma vez” e do “para sempre” e expondo, em flagrante delito, a impossibilidade de uma direcção, numa realidade contemporânea na qual se entrecruzam demasiados catalisadores.



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