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Ana Moura | “Desfado”

Uma nova visão sobre o fado

Ana Moura lançou, no mês de Novembro, o seu quinto álbum de originais. “Desfado” apresenta novas sonoridades que o afastam do fado; experimentou-se novas sonoridades e talvez daí o nome faça todo o sentido. Mas há um toque de fado, a voz de Ana Moura mantém-se fiel à vibração tão típica deste género musical.

Um álbum longo, composto por dezassete temas, inclui três faixas em Inglês e imensas participações especiais. Para além de ter sido gravado nos Estados Unidos da América, produzido por Larry Klein, inclui participações do pianista Larry Hancock e de Tim Ries, letras de Manel Cruz, Pedro Abrunhosa, Márcia, Pedro Martins (Deolinda), António Zambujo, Miguel Araújo, a dupla Virgem Suta e Luísa Sobral. Desconstruiu-se o que de tradicional tem o fado, juntou-se uma bateria, instrumentos electrónicos e surge este “Desfado”. Mas continua-se a sentir o fado, na sua essência – a guitarra portuguesa é mestria a que não podemos ficar indiferentes.

A voz quente de Ana Moura envolve-nos. Soa fantasticamente bem neste álbum, parecendo que está ali, confortavelmente a cantar para nós. Não é voz que chegue a escalas inalcançáveis, e isso torna-a real e sentida. Não há falsidades nem falsetes, transmite sentimentos reais, de dor e alegria…

Para os mais tradicionais, este “Desfado” afasta-se do que o fado é na sua essência. Não se nega, aliás, reforça-se. Sim, “Desfado” apresenta uma nova visão sobre o fado. Mas teremos de concordar se alguém referir que os temas em Inglês afastam-se bastante deste género tão Português. Não são mesmo fado, nem o timbre parece de fadista… Mas não deixam de ser temas fantásticos, cheios de emoção, bem construídos e principalmente bem interpretados.

Ana Moura não nega a influência que tem vindo a receber pelas tours internacionais, artistas que tem vindo a conhecer e a colaborar. E talvez por isso nos aproxime do que é o futuro do fado. Talvez este seja o que vai atrair mais seguidores. Arriscou nitidamente neste “Desfado”, mas a aposta poderá ter sido bem feita, pois os novos ouvintes do género tendem a afastar-se do fado mais tradicional, procuram outras influências, e aqui reside a magia deste álbum – é fado muito bem interpretado, com as novas influências e roupas que se nos fazem ficar retidos.

«Até ao verão» é o single de avanço, escrito por Márcia. É realmente difícil ficar indiferente ao tema. De forma envolvente leva-nos por uma formidável composição melódica, e a letra é realmente bonita – como a Márcia também já nos habituou.

A digressão de apresentação já arrancou. Pede-se silêncio que se vai ouvir fado, bom “desfado”.



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