Andanças

Contra danças não há argumentos.

Por onde começar? Mas afinal, o que é o Andanças?

É sem dúvida um festival diferente, organizado pela PéDeXumbo (Associação para a promoção de musica e dança), onde a dança é o centro das atenções e também o principal motivo da romaria anual em direcção a Carvalhais, São Pedro do Sul.

Sem danças não haveria o Andanças, o festival gira em torno disso mesmo, o participante é obrigado a dançar, e mesmo quando pensa que não o sabe fazer, já o fez!

As dezenas e dezenas de workshops que preenchem os dias em Carvalhais são de dança e podem ter os mais variados temas, desde o Tango até ao Kizomba, da Catalunha aos Balcãs ou até mesmo o Yoga ou a Capoeira. Resumindo, tudo o que possamos imaginar que é a dança…está ali.

As aulas são muitas vezes conduzidas por professores e músicos, que unidos ensinam dezenas de alunos, mas por vezes parecem aulas privadas onde cada um se liberta e dança, seja a pares ou sozinho.

Todos esses workshops são muito concorridos, sendo que a tenda enche e fica lotada, mas há sempre lugar para mais um par ou para alguém que chegou atrasado e decidiu entrar na aula.

Depois do jantar todos os palcos e tendas se transformam em concertos. Chegam a ser quase em simultâneo, com sete palcos diferentes com músicas e danças totalmente distintas, onde tudo o que se aprende de manhã e à tarde é posto em prática de noite.

A programação é fortíssima e para quem conhece nomes como Dazkarieh, Uxu Kalhus ou Djamboonda sabe que a noite vai sempre ser de arromba.

Este evento disponibiliza-nos tudo o que precisamos e existem muitas outras actividades paralelas às oficinas de dança. São famosas as viagens até ao parque florestal do Pisão, a poucos kilómetros de Carvalhais, onde se reúnem grupos para as mais variadas oficinas, para aprender a construir um didgeridoo ou a tocar instrumentos irlandeses, só para dar um exemplo.

Para além disto há um parque de campismo gratuito (incluído no bilhete) e uma série de instalações que nos permitem usufruir de muita coisa, como a sala de internet ou o bar, uma mercearia que vende broa com mel, um refeitório (onde ocasionalmente entram de rompante músicos de improviso ou bandas já conhecidas como os Kumpa’nia Al-Gazarra, para espanto de todos que estão na fila para almoçar ou jantar) etc…

Está tudo pensado, e nem a comida é deixada ao acaso.

Sendo evidente que acima de tudo está uma alimentação saudável, a prioridade é a comida vegetariana (mesmo quando no refeitório se dividem dois pratos, vegetarianos e não-vegetarianos).
Uma verdadeira iguaria para quem é vegetariano, já que todos os ingredientes se transformam numa mistura de cheiros e sabores que nos transportam para todos os cantos do mundo, tal como as danças.

Aqui a dança está presente em tudo, até na forma como o artesanato é encarado. Várias tendas colocadas em posição estratégica à entrada do recinto oferecem-nos artesãos a trabalhar ao vivo e em constante interacção com os participantes. É uma feira, onde todos mostram o seu valor.

Esta festa ergue-se em ideais e princípios que normalmente passam ao lado do ser comum no dia-a-dia atarefado. Mas aqui é diferente… no Andanças o colectivo faz a diferença e não é por acaso que a organização é totalmente constituída por voluntários, que trabalham quatro horas por dias nas mais diversas áreas, seja a recolher o lixo ou ajudar no refeitório, onde se alimentam muitas centenas de almas.

Aqui, ser voluntário é querer fazer parte de uma imensidão de gente, que ano após ano se conhece e ajuda quem anda por lá.

E há voluntários para tudo. Existe uma zona de lavagem, onde esses mesmos voluntários lavam os pratos das pessoas que acabam de comer e os entregam lá, mas não sem antes estes terem despejado os restos num contentor próprio e os  talheres e copos de plástico noutro, tudo para reciclagem.

Estes princípios, que deveriam ser obrigatórios em qualquer casa ou família, passam pela preocupação ecológica acima de tudo.

O lixo é separado, os detergentes utilizados são todos bio-degradáveis e a água não é utilizada ao acaso. Por exemplo, a água utilizada nos duches do parque de campismo é reutilizada para os autoclismos. Cada participante é parte importante neste processo, cada um faz a sua parte, para que o todo funcione.

E o Andanças continua a surpreender… quando se apercebe que o festival e a aldeia de Carvalhais se abraçam e se tornam numa só festa, durante os sete dias, e é freqüente ver famílias inteiras que decidem participar no evento que, uma semana por ano, transforma a sua terra.

E que terra! São Pedro do Sul é de uma beleza extrema que não se pode contar por palavras, só estando lá e explorando a serra é que se pode deparar com vistas de outro mundo.

O Festival Internacional de Danças Populares, mais conhecido por Andanças celebrou 10 anos o ano passado, e em 2006 a PédeXumbo (organizadora do festival) decide editar “Contra danças não há argumentos – uma década de Andanças” um livro que celebra no seu todo, um festival que não tem comparação a nível nacional.

De tudo um pouco que faz parte desta festa, este livro traz-nos o testemunho de pessoas que fazem o festival acontecer…

E pela minha parte, se tiver algo a dizer, digo que tenho a certeza que o Andanças irá continuar por mais 10, 11, 12 anos no mínimo.



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