André Fernandes

Um novo talento do Jazz feito em Portugal. A descobrir este mês aqui na Rua de Baixo.

Um jovem talento do Jazz português, dinâmico e dono de um currículo invejável, André Fernandes, com apenas 27 anos, pode gabar-se de ter tocado ao lado de reconhecidos nomes da cena jazz nacional como Carlos Barreto, Jorge Reis (com quem gravou o cd Pueblos em 2003), Bernardo Moreira, Tomás Pimentel, ou internacional como Chris Cheek, Furio de Castri, Phil Markowitz ou Cyro Baptista.

Este músico nasceu em Lisboa no pico dos anos setenta. O mesmo ano de estreia do “the song remains the same” dos Led Zeppelin, contendo em si a contradição de a música não ser mais a mesma com ele por perto.

A sua formação na área do jazz, no Hot Club de Portugal (onde actualmente lecciona as disciplinas de Combo, Análise e Guitarra) e na conceituadíssima Berklee College of Music, da qual recebeu uma bolsa em 1996, e as influências recebidas de nomes como John Abercrombie, Hall Crook, Jerry Bergonzi, Kenny Werner ou Mick Goodrick durante a sua estada nos EUA, conferiram a André Fernandes uma capacidade de expressar o seu talento de uma forma tão espontânea e interessante que é impossível não reparar.

O seu primeiro álbum como líder, O Osso, com Julian Arguelles, Pete Rende, Bernardo Moreira e Jochen Rueckert, foi votado pela revista All Jazz um dos cinco melhores cds de jazz nacionais de 2002.

Actualmente, o projecto Spill, do qual é maestro misturando electro e jazz, explora as novas tendências e mostra a juventude de Fernandes. Quem esteve no Hot Club de Portugal no passado dia 26 de Dezembro pôde ouvir e formar opinião. Este trabalho de fusão, onde muitas matérias, desde o experimental ao electrónico, passando pelo jazz e pelo drum ‘n bass, se fundem numa massa única, por vezes dançável, é, para quem conhece o significado de groove, a banda sonora da noite lisboeta. Infelizmente ainda não está editado entre nós, restando procurar a actuação ao vivo para se poder sentir o seu groove ou, esperar a edição do seu álbum. Esperemos que para breve.

André Sousa Machado é a alma rítmica deste projecto e é inqualificável (quem teve o prazer de o escutar ao vivo saberá do que falo). Miguel Amado no baixo eléctrico e João Gomes nas teclas completam este conjunto irreverente, fundindo urbano e clássico, martelando, recristalizando e esculpindo uma obra extremamente interessante.

No final de 2003 lançou o mais recente álbum, Howler, pela Tone of a Pitch. Esta editora independente, inaugurada em 2002, da qual é co-fundador juntamente com Nelson Cascais e Alexandre Silva Fernandes, propõe-se editar álbuns na área do jazz e, entre os álbuns recentemente editados, surge Howler, da sua autoria, ao lado de nomes como Mat Renzi (Sax tenor, clarinete), Pete Rende, um multi-instrumentalista (Piano, Rhodes, Acordeão, Sampler), Bernardo Moreira (baixo) e André Sousa Machado (bateria).

Este álbum foi gravado na bonita cidade de Óbidos, um excelente espaço para inspiração, com o apoio do Bar Projecto Jazz e da Câmara Municipal do Pombal, e o resultado é um álbum inspirado, melancólico, moderno e inconformado, num estilo muito próprio.

Para quem esteve no Seixal Jazz e se lembra deste jovem no espaço dos refeitórios da Mundet, certamente terá reparado no talento, na promessa que encerra em si, durante a apresentação deste seu novo álbum. É um artista imperdível. Mas apenas quem ouve pode dizer o que sente. Oiçam. Sintam. Os críticos de música, comparados com os ouvidos, não servem para grande coisa.

— Texto redigido por João Fernandes —



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