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Andrew Bird

"Break it yourself". O lado sentimental da perfeição.

“Noble Beast”, editado em 2009, era a súmula de uma carreira excepcional: um hino à natureza, um adágio ao planeta terra na sua plenitude, um elogio ao lado mais calmo e contemplativo da vida. Parecia ser difícil fazer melhor até que demos com os ouvidos em “Break it yourself”, disco que chega às prateleiras hoje, 6 de Março, e que revela um Andrew Bird passeando entre plantas carnívoras e girassóis – que não fazem mal a ninguém -, numa viagem experimental que resulta numa “Volta ao Mundo em 80 dias” revisitando estilos musicais que atravessam os cinco continentes.

«Danse Caribe» é um dos mais inventivos e incríveis temas do disco: começa por servir uma folk solarenga, abraça um tropicalismo veraneante à moda de uns Vampire Weekend, entra num assobio vertiginoso em terras de El Mariachi, arranca para um périplo de violino onde se sente o cheiro da Irlanda e das danças de celeiro para, em última instância, acabar com uma folk habitada pelo espírito da música clássica – tudo isto em pouco mais de três minutos; «Give it Away» é pleno de experimentalismo, uma viagem entre a pop solarenga e um jazz de espírito irrequieto; em «Lusitania», belíssimo dueto com Annie Clark – aka St. Vincent -, canta-se uma relação condenada com versos como estes, pouco habituais nas letras de Bird e que acabam por ser o esqueleto lírico do novo longa duração: “You’re laying mines along your shore / Through my hull they ripped and tore.”. O assobio continua a ser uma imagem de marca, quase como que uma marca de água Birdiana, conduzindo-nos, como ratos numa fábula Hameliniana, às aguas de um mar onde queremos nadar para sempre sem o espectro do afogamento.

Eis “Break it yourself”: carregado de emoção sem entrar no campo da lamechice; usando e abusando do experimentalismo sem mostrar atrevimentos narcisistas; único na forma como mostra a música como o centro do mundo, num balanço perfeito entre os lados cerebral e emocional do corpo humano. Andrew Bird pode ter perdido alguma da louca experimentação mostrada em discos anteriores, mas nem por isso nos deixou de oferecer um disco que é um verdadeiro tesouro.



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