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Andy Butler

Estação da Luz, 11 de Julho.

Longe das luzes da ribalta, Andy Butler, a figura central de Hercules & Love Afair, animou um par de noites em Portugal, em eventos de tímida divulgação, na qual se falharam os spots obrigatórios para que o público-alvo deste género de artistas tomasse conhecimento. Assim, na noite de 11 de Julho, em Aveiro, mais precisamente Quintãs, era possível assistir a um dj set de Andy Butler na discoteca Estação da Luz, num evento com o imaginativo nome de “Funky People”.

Chegar cedinho, regra de ouro quando não se conhece a casa, não vão os ingressos esgotar. Logo na entrada, um pormenor da velha escola: preços diferentes para eles e para elas, uma espécie de cavalheirismo bacoco ou mera exploração comercial que se perdeu nos locais mais hipster – pena esta não ser noite da mulher. A pista de dança encontrava-se vazia, com warm-up feito pela prata da casa, o duo Johnwaynes, com reggae e funk dos 90’s. Quando o volume de massa humana na pista assim o permitiu, pôde-se passar ao electrohouse, segmento no qual foi tocada o anthem deste clube, uma versão house de «Eu quero tudo» de Cacique 97.

Às 3h30 já o clube se encontrava cheio. No entanto, um passeio geral para passar o tempo revelou uma inexistência de afluência por parte dos festivaleiros da nossa praça que correm norte a sul do país em busca de entretenimento indie relevante. Assim sendo, a pista era preenchida pelos habituais frequentadores da casa, que trocariam de bom grado a música que se iria ouvir por mais um par de caipirinhas. Uma paragem pela chillout zone do clube, munida de pátio ao ar livre, revelou um Andy Butler a passar despercebido num canto sentado a brincar com o seu telemóvel. Trocaram-se dois dedos de conversa com Andy que, depois de expressar espanto como se de um romance sci fi se tratasse, ao saber que a promoção da sua actuação na terra dos ovos moles envolveu um avião a sobrevoar a praia, referiu que pretendia vir ao Lux, mas enganou-se no comboio e veio parar a Aveiro, tendo feito escala no Porto para tocar uns discos não no Plano B ou Pitch mas no infame Bela Cruz, espaço que resolveu investir ainda menos na divulgação que a Estação da Luz e que Andy comparou de bom grado a uma power glove (“it’s so baaaaad!”).

Finalmente, hora do cérebro de Hercules & Love Affair assumir os comandos. A postura do público fazia o Estação da luz parecer uma tenda branca alojando uma cerimónia matrimonial em pleno Agosto. Um pequeno degrau existente entre a pista e o DJ booth era usado pelos mais arrojados como palco, onde podiam demonstrar os seus passos de dança. Afinal o que interessa é festejar. Depois de efectuar a ponte com o anterior set tocando algum tech house enfadonho, Andy presenteou a audiência passando clássicos house misturando no meio o hit «Blind» que arranca um sing along por parte dos mais animados. Fruto da promoção do site da Estação da Luz, na qual anunciavam Hercules & Love Afair como produtores da música “que estava a dar”? De quando a quando Andy podia ser visto a olhar fixamente as projecções do clube que variavam entre aviões cor de rosa, bootlegs das latas Campbells de Warhol com o nome do clube (também cor de rosa) e as eternas palavras e frases cliché de qualquer evento nocturno com muito “feeling”, “fashion” e “glamour”.

Uma breve deslocação até ao pátio exterior mostrava que a chillout zone fora entretanto transformada em pista de música pimba, com uma afluência maior que a pista onde Andy tocava os seus discos. Temas de Irmãos Verdades, José Malhoa e Quim Barreiros eram intercalados com adulterações dos hits de Gloria Gaynor. Dançava-se “à baile” e cantava-se quando a letra assim o permitia. E como cada coisa no mundo tem o seu lugar (ninguém espera ver uma banda a tocar covers de Mr. Fingers nas festas de Trancoso) era urgente um regresso à pista principal. Andy levava agora o público numa viagem até Detroit com alguns temas techno mais agressivos, tendo por final regressado à sua cidade de origem Nova Iorque, circa 1978.

O set parecia conduzir-se para um fim em torno de clássicos disco, tendo o intrépido dj possivelmente sido persuadido pelo gerente do clube a tocar mais meia hora de clássicos após um faux finale. Assim, às 6h30m da manhã Andy Butler chegava ao fim do seu penoso, ainda que brilhante, set de 2 horas – descanso necessário, que no dia seguinte a noite iria ser longa no Space em Ibiza. Terminava a música, a fila para pagar estendia-se, mas a festa continuaria cá fora à luz do dia em torno da roulotte de cachorros. Quintãs é a cidade que nunca dorme.



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