Anthony Rother @ Lux

O 5º Kraftwerk finalmente visitou Portugal.

O dia 18 de Janeiro ficará marcado pare sempre, no seio dos mais atentos à musica electrónica, como o dia em que ocorreu uma das melhores actuações de musica electro na cidade de Lisboa. Passavam poucos minutos das três da manhã quando Anthony Rother subiu ao palco, montado no meio da “pista de baixo” do Lux. Acompanhado de uma panóplia de cerca de 146 quilos de equipamento, Rother provou que apenas uma pessoa é capaz de fazer o que outros fazem com dezenas de discos de diferentes autores.

Em Live Act e tocando apenas faixas da sua autoria, este alemão conseguiu levar, durante cerca de duas horas e meia, a estados de delírio e alucinação numa pista bem composta que se deslocou à discoteca de Santa Apolónia para comemorar os cinco anos da “Sonic Culture”, a editora/promotora de eventos que se assume com a maior entidade portuguesa na realização de festas com nomes de artistas mais vanguardistas com setas apontadas para as pistas de dança.

Falar de uma actuação de Rother não é só falar da qualidade do seu som, é saudar as constantes mensagens que dirige para a plateia, é salutar a sua simpatia (e a figura simpática que tem em palco) para com o público, é descrever como no meio de uma “catrefada”  de instrumentos como sintetizadores, microfones e teclados, uma pessoa só consegue deixar a sensação de que o que faz parece tão simples. É afirmar, com toda a certeza, que mesmo quem não goste do estilo de música que este alemão proveniente de Offenbach produz, vai certamente ficar estupefacta com o espectáculo que protagoniza em palco. 

Passava cerca de meia hora das três da manhã, já com um público bastante ansioso pelo início do espectáculo, quando Rother assumiu o controlo da operações. A sua  performance começou com o seu último sucesso, «Youth», e não poderia ter sido melhor a escolha do tema. Desde o início que Rother conseguiu ter o público “na sua mão”. A partir desta altura, o espectáculo foi sempre crescendo e Rother mostrou as suas capacidades técnicas a menos de meia dúzia da metros do público, tocando faixas essencialmente do seu ultimo álbum, “Super Space Model”.

Durante todo o concerto, nunca o público esteve desligado do que se passava lá em cima. Especial destaque para alguns dos épicos que foi debitando no meio da sua actuação como «Father» do álbum “Popkiller” e «Lucifer», a música mais potente que Rother escreveu na sua, já longa, carreira.

Recorrendo várias vezes a um sintetizador pequeno que tinha aos seus pés apenas com cerca de cinco botões, parecia que cada vez que lhe tocava a pista levava uma lufada de ar pesado. Dali eram lançadas fortes batidas no meio das melodias que debitava dos seus órgãos auxiliado pela sua voz. O final do concerto soou bastante a sonoridades Kraftwerk (não fosse Rother apelidado como o 5º Kraftwerk), ritmos analógicos e minimalistas, todos tocados em tempo real. Final com «Angels Coming

Home» com um “o mundo precisa de vocês” em português bem explícito. Como é obvio, com o espectáculo que Rother estava a realizar, não havia ninguém que quisesse parar de dançar e, depois de meia dúzia de cumprimentos à plateia, este simpático alemão voltou à “carga” deixando, desta feita, de parte as sonoridades “Kraftwerdianas” e dirigiu as suas baterias para um electro bem mais pesado, justamente aquilo que o público procurava. Braços no ar, público aos saltos, estados de trance, parecia quase tratar-se de um concerto rock, mas as batidas eram viradas para o electroclash e não havia sinais de encontrões, pois quem estava lá era mesmo para a festa.

Seguiram-se Expander, Nelson Flip e Manu mas pouco podiam fazer depois do que Rother tinha feito em palco. A pista continuou cheia, mas a saudade de Rother foi instantânea…

Fica, em jeito de agradecimento, os parabéns à Sonic Culture por ter finalmente trazido ao nosso país uma figura incontornável da música de dança – Anthony Rother, um verdadeiro artista/músico/compositor/produtor de música electrónica dos nossos tempos.  



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