AntiPop Festival @ Viana do Castelo

Em 13 e 14 de Agosto as batidas vão estar bem fortes!

Pelo segundo ano consecutivo, Viana do Castelo acolhe um Festival de Verão. Se o primeiro passou despercebido (ao primeiro foi dado o nome de Viana no Castelo) à grande maioria das pessoas, este ano não faltam razões para que seja, sem dúvidas, umas das grandes surpresas e, quem sabe, se torne uma afirmação no actual panorama de festivais portugueses.

Se os megas festivais que decorrem nesta altura se preocupam mais em trazer grandes nomes da música, pecando pela inovação e caindo em concertos mais que batidos (sem falar de repetidos), a organização do AntiPop Festival, a cargo da Ofir Produções, teve o cuidado de seleccionar nomes emergentes e muitos deles já conhecidos no panorama português (Tiga por exemplo), mas que tendem a atrasar-se na afirmação por solo luso. É certo que estamos a falar de música electrónica e alguns poderão dizer que o público atento a ela é, certamente, de menor número que o publico que vai ver pop/rock shows, mas mesmo este pequeno nicho terá perante si algum do melhor electrohouse, techno, minimal techno, electroclash que se faz actualmente.

O cartaz do AntiPop é de facto muito bom. Podemos mesmo afirmar que se trata de um pequeno “best of Lux and OpArt” dos últimos meses (não desfazendo alguns dos grandes nomes que passaram por lá).

Dia 13

Tiga

Este DJ nascido em Montreal poucas apresentações necessita actualmente. Depois da edição de “Sexor” pela PIAS (Play it Again Sam) no presente ano, o estatuto que a tanto tempo tentava fugir foi sem dúvida imposto. Tiga é actualmente a PopStar da música electrónica e certamente todos ouviram falar das filas enormes que é responsável cada vez que vai tocar ao Lux.

Quem ainda não dançou o tema «You Gonna Want Me» é porque não vai a uma discoteca há uns bons meses. A aliança entre a música glam, a electrónica e a voz pop é conjugada na perfeição.

Pouco tempo depois da brilhante actuação no Sonar em Barcelona e de misturar nomes que vão desde Depeche Mode a Tomas Anderson, passando por Peaches e, mais recentemente, até por Pet Shop Boys só para citar alguns nomes. Certamente Tiga virá atulhadíssimo de boas propostas para quem quiser ouvir o melhor electrohouse.

Se muitos ficaram desiludidos pela sua falha no festival da Zambujeira do Mar vão ter aqui a oportunidade de ver o DJ mais requisitado do momento.

Trentemoller

Ainda antes da actuação de Tiga, ficará a cargo deste DJ oriundo da Dinamarca o primeiro grande momento da noite. Conhecido pelos suas batidas arrojadas de cortar a respiração a qualquer um, Trentemoller promete poder e alucinação no seu set. Depois de editar Ep´s como “Poller Shift” e “Rikketid” surge-nos com o super “Nam Nam” pela Poker Flat, sendo o tema «Killer Cat» um dos mais badalados do momento.

Ainda recentemente este Dinamarquês brindou o público do OpArt com os seus inconfundíveis sets. Quem não ficou satisfeito com a pouca inspiração nesse dia certamente ficará expectante com a nova aparição de Trentemoller por terras lusas, esperando que a vingança seja servida a quente.

Booka Shade

Aqueles que seguem de perto a programação da RdB, certamente saberão por onde este dois (Walter Merziger e Arno Kammermeier) andam a provocar “estragos”. Os Booka Shade são “apenas”, juntamente com os M.A.N.D.Y. e Dj T, os fundadores de uma das, senão a, editora do momento, a Get Physical.

Ainda no mês passado, proporcionaram na discoteca de Santa Apolónia um dos melhores concertos do ano e fica a esperança que se repita por terras Vianenses.

A não perder os autores de temas como «Body Languague» e «Mandarine Girl» – track of the year em Ibiza…

O primeiro dia do festival contará ainda com a presença de Double on Funk, projecto de Jonas Leitão e Nuno Carneiro, dois portuenses que tocam a música das favelas de São Paulo: o Funk. Souls of Fire, a banda reggae (também portuense) do momento, Invaders, Miguel Rendeiro e Tó Riccardi completam o cartaz deste dia. O fecho da noite ficará a cargo do Dj nacional Rui Vargas que dispensa apresentações…

Dia 14

Vitalic

Quem nunca assistiu a um set de Vitalic fica uma breve dica: NÃO! Não é um concerto punk-rock, é mesmo um Dj Set. Esta elucidação é necessária apenas devido ao facto do poder que este compositor francês consegue transmitir ao seu público. Quem estiver de fora poderá não acreditar que de facto é de música de dança que se trata…

Actualmente, Vitalic está ligado à Citizen Records, pela qual editou o seu primeiro longa-duração no ano de 2005, o aclamado “OK Cowboy”. Deste foram retirados temas badalados pelos melhores Dj´s, onde podemos destacar «My Friend Dário», «No Fun», «Valleta Fanfares» entre outras (que não são poucas). No entanto, o caminho do estrelato foi iniciado com o EP “Poney” pela Internacional Deejay Gigolo de Dj Hell.

Vitalic é sem dúvida um dos grandes marcos dos restos dessa corrente em vias de extinção, o electroclash. O poder que imprime nos seus sets é algo difícil de descrever. Saltem que Vitalic vai entrar em cena e não vai perdoar ninguém!

Alexander Kowalski feat. Khan

Alexander Kowalski é capaz de fundir, de uma forma única, as sonoridades techno de Detroit com as de Berlim, tendo sido distinguido pelas mais prestigiadas publicações musicais da especialidade.

2006 marca o seu regresso aos álbuns com “Changes”, a ser editado no final do mês de Maio, pela Pias/Different. O primeiro single será «House of Hell» com o excêntrico Khan dos Captain Comatose. Fica também associado a este compositor o épico «Progress», extraído do álbum com a mesma denominação.

Após a aclamada passagem de Kowalski pelo Sonic Fresh’05 e este ano pelo OpArt aguarda-se uma bombástica performance deste Dj.

Michael Mayer

O Sr. Kompakt está de volta e não é por acaso que a produção do festival escolheu o seu nome para o encerramento do festival. Mayer deixa a sua marca por onde passa e o facto de ser um dos co-fundadores desta editora faz deste alemão uma figura incontornável das novas correntes minimais presentes em todos os clubs vanguardistas de dance music.

Michael Mayer é sem dúvida um “ponta-de-lança” dentro do panorama da música electrónica da ultima década, como sócio fundador da Kompakt – falar de Mayer é falar obrigatoriamente dela –; como um dos mais importantes criadores e intérpretes do estilo, tem-se empenhado na divulgação, a par de Ricardo Vilalobos, do techno minimal, estilo que durante muitos anos andou no underground sem que ninguém acreditasse verdadeiramente nele. Actualmente é DJ residente do Fabric, em Londres. Em 2003 editou mais uma das aclamadas compilações: Fabric 13 onde mistura nomes como Ricardo Vilalobos (Playhouse), Superpitcher (glam da KOMPAKT) e Richard Davis entre outros.

Depois de ter actuado no Incógnito, numa 5ª feira de 2002, no primeiro aniversário da Sonic em Janeiro de 2003, em 2004 com o “nosso” Expander no Lux e em Julho no Sonic Fresh 2005, onde embalou os lisboetas até bem depois das nove da manhã com um set inesquecível, Mayer regressa com a promessa que quem o for ver não vai dar o seu tempo por perdido.

Neste dia actuam também o nosso Expander, o primeiro português a “assinar” pela Kompakt de Michael Mayer, Nuno F., Nuno Di Rosso, Tiger Skin aka Dub Taylor e os portuenses Freshkitos.

Haverá ainda um after a cargo de Pedro Ricciardi e Del Costa & Pedro Goya no Caffé Del Rio. Nos mesmos dias realizar-se-á uma feira Hippie.

Já faltava um festival de música electrónica desta qualidade pelos nossos lados. Fica a esperança que eventos deste género possam vingar de forma a combater a febre de festivais mediocres que têm proliferado por Portugal, sem citar nomes para não ferir algumas susceptibilidades.

Bem hajam Ofir Produções…



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