Antony @ Aula Magna

A consagração de uma grande voz.

Ao chegar à Aula Magna e nos depararmos com uma sala completamente cheia, custa a acreditar que estaríamos perante um artista que esteve na capital há uns meses atrás (no Lux) e que foi recebido com indiferença e alguns apupos. Felizmente que existem hypes que vêm por bem, pois Antony merece o respeito e o carinho do público português, que não ficou decepcionado depois de hora e meia de música.

Com a meia hora de atraso constitucional e perante uma Aula Magna envernizada de fresco, Antony, a sua peruca e a sua “banda” – Julia Kent no violoncelo, Maxim Mostom no violino, Jeff Jangston no baixo e Rob Moose na guitarra  – subiram ao palco para deliciarem  e surpreenderem aqueles que poderiam não estar preparados, deixando todos os outros com a sensação confortável de dever cumprido.

Embora a voz de Antony seja obviamente a grande mais valia do “projecto”, a presença de músicos em palco torna o espectáculo muito mais completo, e a música do “performer” nova-iorquino ganha uma dimensão teatral. A própria colocação dos músicos em palco parece ser encenada: Antony ao piano do lado direito do palco e os quatro músicos todos juntos do lado esquerdo. Por alguma coisa se chamam Antony & The Johnsons.

Muito seguro e confiante, Antony não perdeu tempo em declarações lamechas que os portugueses tanto gostam e meteu as mãos ao trabalho, que é o mesmo que dizer, começou a dedilhar as teclas do piano e a declamar as palavras que compõem as suas músicas.

”My Lady Story”, de ”I am a bird now”, o álbum que colocou Antony nas bocas do mundo, foi o primeiro grande momento da noite, que resultou na primeira, de muitas, grande ovação por parte do público. Foi só preciso uma música para se perceber que iríamos presenciar um grande concerto. Não nos enganámos.

Com o decorrer do tempo, Antony começava a ganhar um à-vontade crescendo com o público que não se cansava de aplaudir. Depois de uma passagem pelo EP “The Lake” e pelos sublimes “For Today I Am A Boy” e
“Man Is The Baby”, a participação do público tornou-se parte activa do espectáculo. “Dust and Water, Water and Dust” foram as palavras com que todos os presentes acompanharam Antony, que interpretou o tema tendo como base sonora um consensual murmurinho, interrompido de forma brusca por um toque de telemóvel que estragou aquele que seria o grande momento da noite.

Um dos aspectos mais interessantes de toda a actuação foi a quantidade
de versões interpretadas
por Antony. “The Guests”,
de Leonard Cohen foi a primeira a ser apresentada
e possivelmente a mais surpreendente e teatral. Seguiram-se “All is loneliness” dos Moondog, “Affraid” de Nico e obviamente “Candy Says”, de Lou Reed, já no encore.

Se podemos dizer que houve um momento mais fraco em todo o concerto, esse momento ficou reservado para o encore. Para além da “omissão” de “Fistful of Love” e de “I Fell in Love with a Dead Boy”, os dois temas interpretados, “Soft Black Stars” e “Candy Says”, mostraram um Antony em piloto automático e sem a chama e “pico” que o final de concerto merecia.

O eco dos aplausos não foi suficiente para um segundo encore, mas mesmo assim Antony & The Johnsons cumpriram e comprovaram que estamos perante uma das vozes do novo milénio.

Até à próxima.



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