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Arcade Fire

A história tem início em 2002.

Primeiro gravaram um álbum com canções de Natal. Nunca teve um lançamento oficial. Nem era esse o propósito. Nem se pode dizer que seja um álbum de Arcade Fire, visto que muitos dos elementos da banda nem se encontravam presentes. Foi gravado em casa de Win e Régine, com amigos e família. As poucas cópias gravadas foram distribuídas por família e amigos. Chama-se “Christmas Album”. Um título que tem tanto de simples como de apropriado.

Em Agosto de 2002 os Arcade Fire gravaram o EP homónimo de estreia num celeiro em Mount Desert Island, no estado norte-americano do Maine. Os sete temas daí resultantes foram apresentados ao mundo em 2003. Estava feito o primeiro aviso à navegação. Este EP viria a ser relançado em 2005, depois de ser novamente remasterizado. Mas não coloquemos a carroça à frente dos bois, porque se houve um ano que marcou a história dos Arcade Fire e, para muitos, a história da música na primeira década do século XXI, esse ano foi, indubitavelmente, 2004.

Em Junho de 2003 a avó de Régine Chassagne faleceu. Em Março de 2004 foram Win e William Butler que perderam o seu avô. Já em Abril de 2004 foi Richard Reed Perry que viu partir uma tia. Foi devido a este forte sentimento de perda que a obra-prima que dá pelo nome de “Funeral” ganhou o seu título.

O núcleo do álbum foi gravado ao longo de uma semana de Agosto de 2003 no Hotel2Tango em Montreal, na região do Quebec, no Canadá e foi terminado no final desse ano. A América do Norte teve o privilégio de receber “Funeral” a 14 de Setembro e com o selo da Merge Records. Já a Europa teve de aguardar pelo dia 28 de Fevereiro de 2005 para lhe colocar as mãos em cima e, desta vez, com o selo da Rough Trade.

As palavras usadas para descrever “Funeral” são, por si só, uma evidência de como não deixou ninguém indiferente.

“… brave, empowering, and dusted with something that many indie-rock genre’s more contrived acted desperately lack: an element of real danger.” – Juno Awards

“… empowering and hopeful and euphoric all at once” – Drowned in Sound

“celebratory, emotionally rich and life-affirming” – Stylus

Optei por não traduzir as frases aqui transcritas para evitar que se perdesse o peso que cada palavra tem. São palavras que trazem consigo uma carga emocional muito forte; uma imagem de marca dos Arcade Fire, diga-se.

“Funeral” arrastou a banda para uma daquelas digressões sem fim. Primeiro por salas pequenas, para culminar em palcos como o do Coachella Valley Music and Arts Festival ou Reding e Leeds, no Reino Unido.

Ao longo da sua existência, os Arcade Fire têm ficado conhecidos não só pela sua música mas também pelos sítios pouco convencionais onde a gravam. O sucessor de “Funeral” não seria nenhuma excepção levando a abordagem para outro nível. Assim, no início de 2006 a banda adquiriu uma velha igreja abandonada, na pequena cidade de Farnham, nos arredores de Montreal. Daí até converterem o espaço num estúdio de gravações foi um pequeno passo. Ali nasceu “Neon Bible”, o para muitos famigerado segundo álbum, cuja pressão tanta banda consegue aniquilar. Um tema que por si só pode dar azo a um artigo, por isso prefiro não me alongar mais.

Segundo Win Butler a inspiração para escrever e compor “Neon Bible”, adveio dos inúmeros “pregadores da TV e esquemas de enriquecimento do YouTube” que a banda viu. De facto a inspiração pode chegar sobre as mais estranhas formas. É curioso que um dos temas bandeira de “Neon Bible” seja uma nova leitura de um dos temas do EP de estreia. É claro que me refiro a «No Cars Go». As duas versões do tema permitem ver de uma forma bem curiosa e interessante aquilo que a banda foi e as mudanças que ocorreram no seu modus operandi no período temporal que mediou ambos os lançamentos.

“Neon Bible” trouxe para a equação uma nova variável: o sucesso comercial. As criticas, essas, mantiveram-se positivas embora o brilhantismo obtido por “Funeral” não tenha sido atingido, se bem que por muito pouco.

Depois, quase um ano em tournée a promover “Neon Bible” (foram 122 concertos!). Nos meses seguintes a banda abraçou a sua veia política, apoiando publicamente e dando inclusivamente concertos de apoio à campanha de Barack Obama para a casa Branca em 2008. Em Dezembro de 2008 a banda anunciou o lançamento de “Mirroir Noir” em formato digital, um documento visual e sonoro da digressão e acontecimentos em torno de “Neon Bible”. O DVD, da responsabilidade do francês Vincent Moon, teve a sua edição física no final de Março de 2009 e é daquelas peças de coleccionador que se tem de ter. Depois desta data a banda entrou num período de reclusão dos olhares públicos, interrompido aqui e ali por aparições pontuais, tendo quase sempre por finalidade apoiar fundações e instituições solidárias.

Foi já perto do final do primeiro semestre de 2010 que se voltou a ouvir falar com insistência dos Arcade Fire.

“The Suburbs”, o terceiro longa-duração da banda, vai ser lançado no próximo dia 2 de Agosto. Em entrevista à rádio NPR, Win Butler revelou recentemente que “The Suburbs” teve o seu título e canções inspirados pela sua educação nos subúrbios da cidade de Houston, Texas. Já as gravações decorreram em diversos locais. Tiveram um cariz caseiro, quando em casa de Régine. Passaram pelo estúdio da banda e foram terminadas em Nova Iorque.

Será sem dúvida um álbum diferente dos anteriores. Se para melhor ou para pior, prefiro não me pronunciar sem o ouvir completo, como um todo. Para já, pelo que já foi dado a conhecer nos singles que surgiram na Internet e pelos temas já tocados ao vivo não vai seguir as pisadas dos irmãos mais velhos. Soa mais rápido e mais cru. Ao todo “The Suburbs” encerra em si 16 temas. A nova face dos Arcade Fire. Nós estaremos por cá para ouvir e… julgar.



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