Insatiable Buildings, on the pleasures of building small architectures

ARQUITECTURA INSACIÁVEL

Insatiable Buildings, on the pleasures of building small architectures ocupará e produzirá um novo contexto espacial nos jardins e espaços interiores da Maison de la Vache qui Rit, em Lous-le-Maison, França, de 21 de Fevereiro a 7 de Setembro.

A exposição, comissariada por Inês Moreira e, enquanto projecto pedagógico, coordenada por Morgane Blant-Bonion, encontra-se em fase de montagem. Esta fase processual, já de si, constitui uma parte fundamental e essencial relativamente ao conceito do projecto, uma vez que o mesmo não se confina, somente, à parte expositiva e ao resultado, que o público poderá experienciar, mas diz respeito a todo o processo de concepção e construção.

Mais do que uma exposição de arquitectura, Insatiable Builders, assume-se como um laboratório de experiências e um incentivo à criatividade. Aos arquitectos convidados, e cujos projectos poderão ser vivenciados brevemente, foi lançado o desafio de conceberem peças arquitectónicas, materializando o desejo de construírem com as suas próprias mãos, “explorando o entusiasmo e a compulsão da construção de pequena escala”.

Esta “pequena escala”, seja efémera, sazonal ou nómada, encontra-se muito associada à imagem da cabana primitiva, representativa da arquitectura mais elementar, o arquétipo do habitar, simbolicamente um abrigo, lugar de defesa e descanso, muito próprio do imaginário infantil.

Estes espaços conjugam eficiência e funcionalidade, estabelecendo uma relação com o meio envolvente e uma oportunidade de construir um espaço pessoal. Contudo, nesta exposição a noção de isolamento é alterada e oferecida uma nova perspectiva de conjunto, através de novas produções arquitectónicas. Muitos arquitectos traduzem as suas práticas de experimentação em construções de pequena escala, sendo o objectivo impulsioná-los a criarem e a construírem esses objectos arquitectónicos à escala real, numa partilha de conhecimentos.

A par dos limites, os quais se traduzem na escassez de recursos disponíveis, os arquitectos usam a sua criatividade para uma produção espacial assente na total liberdade da manipulação de diversos materiais, na reutilização e reinvenção de objectos comuns, muitos deles não utilizados habitualmente na construção, conjugado com um design inovador e projectando soluções eficientes e funcionais. “As vidas e segundas vidas dos materiais interessam-nos como ponto de partida e de chegada entre projectos”, afirma a curadora responsável pela exposição.

Assim, para além de serem obras criadas para o contexto específico do museu, estas transpõem as suas paredes procurando responder, num contexto mais abrangente, a problemáticas actuais que se focam em questões ecológicas, sociais e antropológicas.

A mostra conta com a vontade insaciável dos portugueses Terrapalha/Catarina Pinto – Sheperd Shelter e The Womb Shelter -, André Castro Vasconcelos – Constructing with Clothes -, José Pedro Sousa & DFL – Constructive Geometry Dome -, petit CABANON e os holandeses The Cloud Collective – Hermit House -, as francesas Véronique e Françoise Maire – The Storage Hut -, e Exyzt (França) & Associação Ensaios e Diálogos (Portugal).

Os arquitectos convidados possuem já, uma prática profissional ligada à experimentação de construções arquitectónicas, que conjugam diversos tipos de materiais, dos mais comuns aos mais invulgares, resultando em novas soluções espaciais e construtivas. Procuram responder a problemas, produzindo muito com pouco, e é essa busca de novas soluções que será apresentada na Maison de la Vache qui Rit.

Os autores recorrem a materiais correntes, e reciclam-nos para as diferentes concepções espaciais: Terrapalha explora materiais autóctones, como madeiras, e a mudança das estações; André Castro Vasconcelos utiliza materiais pouco convencionais, como camisas em segunda mão; The Cloud Collective recorre a madeiras correntes e aglomerados de baixo custo; e Véronique e Françoise Maire a garrafas de vidro, por exemplo. Não há limites quando o mote é criatividade e vontade de “pôr mãos à obra”.

Num período em que as exposições sobre arquitectura têm vindo a ganhar força e a assumir um lugar nos espaços expositivos, com as dificuldades inerentes, próprias de exibir uma arte e técnica que engloba quatro dimensões, Insatiable Builders acaba por ser inédita na escala, diversidade e relação que cria com um público não especializado, num contexto museológico. Segundo Inês Moreira, “mais do que vincular o projecto, e os autores, propomos uma experiência imersiva em que os visitantes tenham uma mediação pedagógica, enquanto na perspectiva dos autores lhes damos total liberdade na compulsão construtiva.”

Este projecto surgiu na sequência das colaborações que Inês Moreira, aqui como curadora, mantém com o Lab’bel – do Group Bel -, um laboratório artístico, itinerante e criativo, fundado em 2010 com o objectivo de dar a conhecer a arte contemporânea, tornando-a acessível e disponível a todo o público. Nesta colaboração regular, a arquitecta concebeu várias cenografias e conceitos espaciais, que estiveram patentes em Barcelona, Angers, Guimarães, bem como na sala de exposições temporárias que o museu Maison de la Vache qui Rit possui e onde se poderá visitar, ainda este mês, Insatiable Builders.

 

Fotografia de Inês Moreira.



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