“Arroz de Palma” | Francisco Azevedo

“Arroz de Palma” | Francisco Azevedo

Cada família, sua receita

Saiba o leitor mais curioso que o primeiro capítulo deste livro pode ser encontrado on-line e que a sua leitura vivamente se aconselha. Basta este primeiro capítulo, um prato muito bem servido que marca o tom para toda a obra, para decidir se vai amar ou odiar “Arroz de Palma” (Porto Editora, 2013).

A prosa de Francisco Azevedo é uma iguaria rara, capaz de satisfazer o palato mais aguçado. É com o sabor agridoce da nostalgia que, através das memórias de António, cozinheiro octogenário, herdeiro do arroz, conhecemos as raízes, os troncos e os galhos de uma família portuguesa que cresce e se multiplica no Brasil. É apenas neste espaço mental que as estórias e as brincadeiras da Tia Palma se cruzam com a vivacidade tecnológica do neto Bernardo.

No casamento de José Custódio e Maria Romana, em Viana do Castelo, jorram quilos de arroz abençoado, que a Tia Palma recolhe do chão, grão a grão, para oferecer aos noivos. Com os três, o arroz viaja para o Brasil e aguarda, paciente. Durante um século, o crescimento da família é impulsionado pelos efeitos benéficos deste presente da Tia Palma.

Como uma paisagem que se constrói sobre areia movediça, a família é um ser vivo, um organismo mutável e maleável, um vaivém inevitável e imprevisível de partidas e chegadas. Família é mais que sangue, mais que amor. Família é paciência, é tolerância, é vontade. E muito trabalho.

A cada capítulo, uma memória. A cada memória, uma lição. Se o leitor assim o desejar, faça o exercício: abra o livro ao acaso e leia o capítulo que calhar. Será como ler um conto. Não obstante a vida desta família se desenhar ao longo da obra, cada capítulo tem em si uma autonomia deliciosa, temperado com as memórias e devaneios de António.



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