“As Mulheres Deviam Vir Com Livro De Instruções” | Manuel Jorge Marmelo

“As Mulheres Deviam Vir Com Livro De Instruções” | Manuel Jorge Marmelo

O lado Ikea triunfará

Apesar do título escolhido para ilustrar estas breves linhas sobre o livro de Manuel Jorge Marmelo, não peguem já no telefone para apresentar uma queixa contra a RDB por sexismo exacerbado. Aliás, “As Mulheres Deviam Vir Com Livro de Instruções” (Quetzal, 2013 – 10ª edição) permite perceber que, no final, serão sempre os homens a ficar com as peças na mão, incapazes de montar os inúmeros puzzles que a vida – e sobretudo as mulheres – vai tratando de atirar ao longo da linha do tempo.

Madureira é o que se costuma chamar de “homem desenrascado”, reunindo em si só as profissões de carpinteiro, pedreiro, pintor e mecânico-de-pequenos-instrumentos. Define-se a como um «colecionador de histórias», um observador atento e bastante reservado daquilo que o rodeia, em particular dos vícios sociais e da complexidade do universo feminino. Universo que ele próprio conhece bem, já que mantém uma vida dupla que envolve dois casamentos simultâneos e três filhos de cada um deles. Será Madureira a contar-nos a história de Maria Rosa, uma rapariga humilde que veio da província para o Porto aos 14 anos para se tornar sopeira e que, um dia, foi encontrada acorrentada a uma varanda da Rua de Santa Catarina em plena tarde, gritando a plenos pulmões para quem quisesse ouvir.

A um passo de abraçar a vida de prostituta, Rosa torna-se secretária para todo o serviço de um famoso advogado e, se poderá ter alguma falta de amor (segundo Madureira), não lhe faltam roupas caras, bons penteados, lotes de maquilhagem, casa, carro e dinheiro na carteira. Porém, o convívio com a alta e média burguesia tripeira nem sempre é fácil – sobretudo com as congéneres femininas -, e um pequeno passo em falso poderá significar o fim de uma ilusão. Ou o começo de uma outra.

Com uma escrita requintada e um humor que deixa um travo subversivo, Manuel Jorge Marmelo escreveu uma comédia social à escala urbana, mostrando que quem manda nisto tudo, afinal, são mesmo as mulheres. Um livro entusiasmante e muito fácil de montar, mesmo sem trazer manual de instruções.



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