As nossas canções de Natal

Cubo, Gomo, Norton, The Room 74, Loto e The Gift no País do Natal.

A ideia era óptima. Reunir um leque de bandas que haviam actuado em tempos recentes no Clinic, de Alcobaça, e dar roupagens natalícias aos seus temas, bem como apresentar, quiçá, alguma versão ajustada à época.

Confessa o escriba que a passada noite de 23 de Dezembro foi a noite de conhecer, pela primeira vez, o Clinic, espaço de Nuno Gonçalves, mentor dos The Gift. Espaço óptimo, diga-se, e que merece elogios pela dinamização nocturna da noite de Alcobaça, como se veio a comprovar na forte adesão de público a esta festa natalícia.

Chego cedo ao espaço. Bebo algumas cervejas, converso, vou entrando em comunhão com o bar/discoteca. Antes, havia comido (passe a publicidade) no Restaurante “A Mãe” – situado ligeiramente acima do Clinic – e dado uma volta pela cidade, lindíssima como sempre me havia lembrado dela. Rural, muito acolhedora, incrivelmente limpa e asseada para quem está acostumado à tradicional lixeira contínua que é grande parte de Lisboa e respectivos subúrbios.

Véspera de véspera de Natal, e encontrava-me eu a mais de 100 km de casa. Valeu a pena? Se valeu.

Os primeiros a entrar em cena foram os Cubo, devidamente apresentados por Nuno Gonçalves. Não foram grande espingarda. Mostraram um som assente nas electrónicas do passado, tentando actualizar o presente com momentos porventura futurísticos. Confusos? Não tanto como a sonoridade deles, garanto-vos.

Em frente. Vamos até ao companheiro Gomo, aqui a mostrar duas composições novas, ainda não devidamente ensaiadas, mas já com apurado sentido pop. Como sempre, diga-se em abono da verdade. Pela amostra teremos no novo disco de Gomo (a editar em 2006, provavelmente) um seguimento na sua sonoridade  típica. Canções viciantes, de refrões orelhudos. Na primeira vez que mostrou ao vivo uma das canções, pasme-se, o público cantou, a determinada altura, o refrão do tema com o músico. Se à primeira audição é assim imaginemos daqui a uns tempos…

Seguindo para os Norton, pois então. Vieram de Castelo Branco, mostraram dois temas originais e uma versão de «Last Christmas», dos Wham. Sim, a banda do George Michael. Para quem ouviu a sessão acústica da banda nas 3Pistas de Henrique Amaro, incluída no disco de remisturas editado recentemente, as composições originais não mostraram nada de novo. Simples, eficazes, bonitas, resultaram bem, bastante bem. A versão nem tanto, demasiado presa a uma certa e deselegante estrutura menos ritmada e mais pausada. Talvez em circunstância menos festiva resulte melhor. Errr, ou se calhar não, não faz sentido tocar um tema como  «Last Christmas» em ocasiões que não festas. Esqueçamos e avancemos.

Os The Room 74 estavam, para surpresa, visualmente discretos. Surpresa menor foi constatar que, musicalmente, com maior ou menor simplicidade de aparato técnico, continuam redundantes e insossos. Contudo, o tema «Deep Inside» ainda animou boa parte da plateia.

Os Loto são divertidos. Anuncia o anfitrião Nuno Gonçalves que têm estado nos últimos tempos a preparar novo trabalho de originais. Longe de muito bons musicalmente, mostraram esta noite que são uma banda porreira para se convidar para festas. Quiçá seja esse o seu futuro, as chamadas digressões por escolas secundárias, bailes de Carnaval, festas do Caloiro. E obrigado pela garrafa de espumante, Nuno!

Para finalizar, os representantes maiores da pop made in Alcobaça, os Padrinhos (sem sentido mafioso) de toda esta gente, os The Gift. Tocaram «Music», «Ok» e uma versão estupenda de «Wonderful Life», dos Black. Pegaram em xilofones, reduziram o volume das guitarras, redimensionaram para a ocasião o seu som. Sem surpresa foram os melhores da noite, os únicos a trazer gente para as primeiras filas. O vocalista dos Cubo queixa-se que o escriba, localizado à sua frente, é demasiado alto e não o deixa ver o palco. 1 metro e 80, caro amigo, que tal procurar outro lugar?

A noite seguiu depois dos concertos, com o Clinic a abarrotar. Com mais música, muita dança, algumas conversas para encerrar o dia, os votos de Bom Natal. No dia seguinte abriram-se as prendas, mas a gift maior havia já sido entregue.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This