Assassin’s Creed IV: Black Flag

Assassin’s Creed IV: Black Flag | Análise

Para jogar até à exaustão.

Assassin’s Creed IV: Black Flag leva-nos à era de ouro dos piratas em 1715. Neste título temos ao nosso dispor o mapa mais ambicioso da série. Vasto, tanto em terra como no mar e no conteúdo que temos para descobrir, tudo isto faz com que a sua exploração seja praticamente obrigatória.

Visualmente, tanto em terra como no mar (onde acaba por se destacar ainda mais), este é sem dúvida um título Open-World (Mundo-aberto) surpreendente. Mais ainda se for jogado num bom PC ou nas novas consolas PS4 e Xbox One (apesar de esta ainda não ter sido lançada na Europa). Ao todo são três as cidades principais, Havana, capital de Cuba e descrita como a cidade mais europeia do jogo, Kingston, uma cidade britânica recheada por plantações de tabaco e Nassau, a maior cidade das Bahamas e a mais tradicionalmente pirata. Três cidades, todas elas cheias de vida e de segredos e missões por descobrir. Mas como disse o mapa é imenso e além destas cidades temos ainda cerca de cinquenta locais para explorar. Grutas que servem de esconderijo a piratas e ladrões, pequenas aldeias piscatórias, plantações ricas de tabaco com armazéns que precisam de ser “esvaziados”, ilhas desertas, florestas densas, e ruínas Maias.

Se o visualismo já surpreende em terra, o que dizer do mar? Navegar por ele ao som do vento, da água e dos cânticos da nossa tripulação é indiscritível. O estado do tempo é dinâmico e assim as chuvas e violentas tempestades não têm altura específica para surgir e alterar o tom das nossas batalhas. No mar, enfrentá-las e eventualmente sobreviver, não deixa de ser gratificante e um deleite para os nossos olhos.

No que diz respeito à jogabilidade, em terra podemos contar com a já tradicional da série. No entanto, Black Flag esforça-se para que sejamos o mais furtivo que podermos, uma vez que o combate pode revelar-se, não mais complexo que o habitual mas sim, mais difícil. Daí que fazer uma análise ao cenário onde estamos pode revelar-se vital para o bom sucesso da missão que estamos a executar. Caso as coisas se compliquem, e acreditem que vão complicar, temos sempre ao nosso dispor as pistolas, bombas de fumo capazes de atordoar um bom número de inimigos e dardos que podem colocar os nossos inimigos a dormir ou até mesmo virá-los contra os seus companheiros numa fúria desenfreada. Isto, claro, sem contar com as tradicionais lâminas e as espadas.

Assassin's Creed IV: Black Flag

No mar, viajamos no nosso navio, Jackdaw e também aí o combate é intenso. No Jackdaw, podemos utilizar uma luneta para analisar o que nos rodeia. Podemos, por exemplo, analisar os barcos que estão perto de nós e de acordo com o saque que transportam (ouro, açúcar, rum e outros materiais) e o nível que lhes corresponde, se vale a pena e se é possível derrotá-los. Os combates navais, são sem dúvida um dos momentos marcantes deste título, ainda mais quando a eles se juntam as tempestades, o que transmite uma incrível sensação de realismo. O saque dos navios que derrotamos, nomeadamente a madeira, o metal e tecidos, é utilizado principalmente para fortalecer o nosso Jackdaw. Quanto mais forte estiver, mais fortes serão os navios que podemos derrotar e maior o saque, claro. Será que vão conseguir encontrar e derrotar os quatro navios lendários?

No mar podemos também encontrar Fortalezas e apesar do dinheiro que ganhamos ao capturá-los, dão-nos também acesso a missões adicionais. É também no mar onde desta vez encontramos os tradicionais Fortes da série. Se os capturarmos, além do dinheiro que recebemos por fazê-lo, ganhamos também acesso a missões adicionais. Em zonas específicas, podemos também fazer exploração submarina. Aqui, podemos descobrir tesouros e até mesmo planos que vão desbloquear upgrades para o nosso Jackdaw, temos é de ter muito cuidado com os tubarões.

Assassin's Creed IV: Black Flag

A caça está também de regresso e permite-nos caçar em terra e “pescar” no mar. Porquê as aspas em pescar? Porque o que realmente vamos fazer é entrar num pequeno barco de arpão em punho e caçar enormes baleias e tubarões.

No meio de tudo isto, talvez a história seja o menos surpreendente. Não deixa, no entanto, de ser envolvente e de nos deixar com aquele “bichinho” de descobrir o que vai acontecer a seguir. Como já é habitual, a história divide-se em duas partes, a parte histórica e a parte moderna. Na parte histórica controlamos o ambicioso pirata Edward Kenway, pai de Haytham Kenway e avô de Ratonhnhaté:kon (Connor Kenway), os protagonistas de Assassin’s Creed III. Com Edward vamos viver a era de ouro dos piratas e cruzar-nos com grandes nomes como Barba Negra, Benjamin Hornigold, Charles Vane, Calico Jack, Anne Bonny e Mary Read. A obtusidade de Kenway pode ser vista como desilusão, mas para mim o facto de ser constante, transmite-me mais a sensação de não ser defeito mas feitio. Mesmo que deixe transparecer alguma previsibilidade à história. No presente, trabalhamos para a Abstergo Entertainment, uma subsidiária da Abstergo Industries em Montreal. Confesso que não estava à espera de vir a achar tão interessante esta componente, isto porque nos títulos anteriores era sempre a parte mais “aborrecida”. Trabalhando para a Abstergo através do Animus, é fora dele que nos tornamos um pirata dos tempos modernos, quando se torna possível hackear os vários computadores da empresa. Deste modo ficamos a conhecer vários segredos desta vil empresa. Todos eles são interessantes e alguns dão até pistas sobre o futuro da série.

Assassin's Creed IV: Black Flag

O Multiplayer, não podia ficar de fora mas é todo ele em terra. Tudo bem que segue a mesma receita dos títulos anteriores, uma espécie de “gato e do rato” onde temos de fazer com que os nossos oponentes cometam um erro denunciando a sua posição, mas não deixa de  estar mais refinado. Chega até nós com novos mapas e personagens.

Assassin’s Creed IV: Black Flag é sem dúvida um título que merece ser jogado e explorado até à exaustão. Tanto em terra como no mar, o nível de conteúdo adicional é imenso e facilmente nos desvia da rota que nos leva à história principal. A longevidade torna-se assim enorme, uma vez que para descobrirmos tudo, podemos ultrapassar as cinquenta horas de jogo.



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