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Assim Assim

Tens Lume?

Na vida há várias formas de estarmos ligados a outras pessoas, mesmo que não as conheçamos directamente. Seja por um envolvimento amoroso, por uma amizade ou unicamente por um isqueiro que se esquece na mesa da esplanada. A complexidade daquilo que à partida teria tudo para ser muito simples. As relações – este é o mote da acção novo filme de Sérgio Graciano, “Assim Assim”, que chega aos cinemas a 19 de abril.

Lisboa é palco das várias histórias de “Assim Assim”. Chiado, Bairro Alto e Cais do Sodré são apenas alguns dos sítios que acabam por ser destacados ao longo da acção. São histórias de amores e desamores, de descobertas, de revelações, de compreensão.

Se no início do filme ficamos um tanto ou quanto a pensar na relação que poderá haver entre as várias cenas, depressa compreendemos que as ligações existentes vão ficando claras. Mais do que um filme em si, “Assim Assim” surge ao nosso olhar como um conjunto de curtas que unidas conseguem criar uma narrativa solidificada nas relações entre as personagens.

A história inova pouco e nunca nos traz nada que nos deixe boquiabertos. As conversas de café entre amigos e outras conversas de circunstância que vão surgindo não conseguem explorar uma dimensão mais profunda ou construtiva. Ainda assim, o filme consegue prender pela dinâmica, pelo intimismo, pela naturalidade e pelo humor dos diálogos.

Adultos citadinos, à procura de si mesmos e do seu lugar na relação com o outro, tão comuns e banais como a própria vida. Se há personagens que à partida sabemos que pouco poderão desenvolver, outras haveria que isoladas poderiam valer um filme. É o caso da relação entre Pedro e Cláudia, encarnados por Nuno Lopes e Joana Santos, cujos contornos da separação nunca ficam claros, mas onde é perceptível pela mestria da interpretação dos actores um choque abrupto entre os dois.

A interpretação é um dos pontos fortes deste filme. Temos actores a dar o melhor de si, sem qualquer excesso (o perfil das próprias personagens o exige) e conseguindo uma identificação para com o público pela simpatia e/ou boa disposição que despertam. Ivo Canelas, Albano Jerónimo, Isabel Abreu, Nuno Lopes, Joana Santos, Rita Blanco, Margarida Carpinteiro, Miguel Guilherme, Gonçalo Waddington e Joaquim Horta são alguns dos nomes que integram o elenco e cuja interpretação natural das suas personagens é merecedora de aplauso.

Esteticamente, o filme consegue mostrar-nos imagens de grande beleza com alguns planos bem conseguidos. As cores são um dos elementos a destacar a nível técnico, trazendo uma Lisboa (ainda mais) bela. Também o próprio guarda-roupa de algumas personagens completa o quadro de um Inverno frio no qual decorre a acção.

“Assim Assim” é um filme que, não trazendo nada de novo, consegue prender pela naturalidade das histórias que conta. Um trabalho como que dividido em curtas, cujas relações entre os personagens são responsáveis por solidificar o filme à medida que este avança (sendo isto também positivo já que não conta tudo de uma vez e nos deixa a pensar que ligações poderão existir).

A película faz-nos rir e pensar as histórias que facilmente poderiam ser protagonizadas por nós. Leve, criativo, estético, bem-disposto. Um filme onde se pode mergulhar com a certeza de que o balanço será positivo. Até mesmo quando o final fica em aberto. É altura de perguntar: “Tens lume?”.



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