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Assim Também Eu!

O primeiro espectáculo da "Nós-Mesmos, Invenções Teatrais", companhia criada por Simão Rubim.

Ao fim de 20 anos na Companhia Teatral do Chiado, onde esteve desde a sua fundação, Simão Rubim, criou no Verão passado a companhia Nós-Mesmos, resultado de uma necessidade de mudança e de criação de um espaço criativo próprio. Esta é uma estrutura que não conta com quaisquer apoios estatais ou mecenatos. É um trabalho de amor e boa-vontade desenvolvido por toda a companhia, com muito profissionalismo e competência.

“Assim também eu!”, o mais recente espectáculo deste Simão Rubim está em cena no Auditório da Biblioteca Orlando Ribeiro em Telheiras. Estreou no fim de 2010 no Teatro Mirita Casimiro a convite de Carlos Avillez, com quem o encenador se estreou aos 17 anos. Um regresso à casa-mãe, onde esteve dois meses com salas lotadas.

Quando falamos em crise a Rubim, este ri-se – “Desde que me conheço e desde que toda a gente se conhece, que se ouve falar na crise…A crise no teatro, a crise…não é fácil, especialmente no momento que o país atravessa. E depois a escolha que as pessoas geralmente fazem não é a mais acertada.” Dá-nos o exemplo das horas que as pessoas ‘gastam’ em trânsito para atravessar o Tejo e ir à praia, e ao regressarem, bem-dispostas, já nem se lembram do calor por que passaram. O mesmo se aplica à questão sucessivamente levantada relativamente ao facto de o espectáculo ter estado em locais aparentemente não tão centrais com Telheiras ou o Estoril. As salas estiveram esgotadas ao longo de quatro meses, será que eram locais assim tão longe? Estacionamento á porta, metro e comboio directos?! Por vezes são as desculpas mais fáceis que as pessoas dão para a sua má gestão de tempo e de dinheiro, o teatro acaba por ser algo de que se abdica, porém citando Rubim – “Quando há crises graves na história a arte sobrevive sempre!” As pessoas precisam de rir, e este é um espectáculo que fará qualquer um rir com gosto.

“Assim também eu!” é um texto muito bem conseguido da autoria de Gustavo Rubim e Rita Basílio, ao qual se juntou um igualmente bom trabalho cenográfico, dramatúrgico e de trabalho dos actores, que cativa várias gerações. Desde as famílias que vão para ver o que Simão Rubim anda a fazer de novo, os que vão para conhecer a companhia e os adolescentes que vão (e voltam muitas vezes) porque se identificam com o texto e matérias abordadas que vão desde a Filosofia, à História e a Língua Portuguesa.

Com uma linguagem simples e inteligente, esta contemporânea alegoria da Caverna de Foz Côa habitada por um peculiar actor/filósofo importunado por uma jornalista intrometida que pouco sabe da arte da representação e consequentemente pouco entende do workshop por ele leccionado.

Não percam dias 15, 16, 21 e 30 de Abril pelas 21h30 na Biblioteca Orlando Ribeiro em Telheiras.



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