Baby Driver – Alta Velocidade

“Baby Driver – Alta Velocidade”

Playlist para conduzir.

 

Creio que é uma verdade universal, quando, pelo menos, uma vez na vida desejámos ouvir uma música especifica para tornar um momento memorável ou suportável. Para isso há quem se dedique à composição de playlists para ouvir no carro, no ginásio, para acordar, para tudo o que for e há quem carregue no botão repeat e se deixe ficar a escutar só “aquela” música.

Edgar Wright agarrou nesta ideia e fez da Música personagem principal no filme “Baby Driver”.

Começamos com “Bellbottoms” de Jon Spencer Blues Explosio, o rugir de um motor e um Jon Hamm de cortar a respiração. A música coreografa uma intensa cena de perseguição de polícias e ladrões. “Harlem Shuffle” do duo Bob & Earl, entra em cena. Um longo traveling acompanha Baby, interpretado por Ansel Elgort, entre semáforos, montras, pessoas, carros e esquinas. Uma coreografia que qualquer um (eu ponho já a minha mão no ar!) gostaria de ter a coragem de fazer quando está a descer a rua e nos auscultadores está a dar aquela música que nos faz sentir muito cool. “Baby” de Carla Thomas provoca aquele sorriso tonto dos apaixonados e o mundo parece mais feliz. Quando aparece “Easy” dos Commodores a voz do Lionel Richie assegura-nos que tudo valeu a pena e vai acabar bem. Já quando toca “Brighton Rock” dos Queen a coisa vai ficar feia e há carros, balas e vidros a voar para todos os lados. Para o final Wright podia ter sido mais generoso e parece-me que ficou a faltar o “Folsom Prison Blues” do Johnny Cash ou o “Bad Moon Rising” dos Creedence Clearwater Revival. Nos créditos finais ele redime-se com “Baby Driver” da dupla Simon & Garfunkel e assim não saí muito desconsolada.

Para esta homenagem tarantinesca à música, aos ladrões e aos carros velozes o realizador britânico escolheu bem os seus trunfos. Ansel Elgort, herdeiro dos galãs rockabillies Elvis-Swayze-Cruise. A dama apaixonada é Debora, interpretada por Lily James, e faz lembrar as suas antecessoras de “Grease”, “Dirty Dancing” e “Cocktail”. Kevin Spacey, Jamie Foxx e Jon Hamm são escolhas seguras para entregarem boas cenas de acção e suspense.

Em resumo “Baby Driver” é o filme indicado para quem gosta de música e para quem ainda se perde em deambulações sobre a canção perfeita.

 

Ilustração de Joana Fernandes

 



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