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Banana Motherfucker

A curta portuguesa foi recebida com muito entusiasmo na edição 2011 do Motelx. Estivemos à conversa com os seus mentores, Pedro Florencio e Fernando Alle.

Já no prólogo do MOTELx falámos com a equipa que realizou e produziu a curta portuguesa ”Banana Motherfucker” que, depois de receber pela segunda vez uma menção especial por parte do festival, desta vez foi aplaudida de pé, na sessão de encerramento.

Como surgiu a ideia para esta curta?

Surgiu de forma bastante progressiva e dispersa, tal como a própria estrutura da curta em si. Ou seja, primeiro surgiu o título engraçado, ao qual se seguiu a vontade de usar um fruto estúpido e absurdo para parodiar o género de terror através dos seus clássicos, “Nightmare on Elm Street”, “Jaws”, “Evil Dead”, “Alien”, “Karate Kid II”, “Haloween”, etc. Depois veio a certeza de que queríamos fazer um movie-mayhem, onde a morte de várias pessoas em situações idiotas em redor do mundo colocaria à prova as nossas capacidades técnicas e humorísticas. Por fim, veio a parte final, pensar num enredo principal, com personagens fixes e um ambiente cool. Que, curiosamente, é parte que mais agarrou e conquistou as pessoas.

Mas há uma origem ainda maior que estas todas. Um dos organizadores do MOTELx possui um tom de voz muito monocórdico que nos faz espirrar o coco a rir. Então, quando imaginámos o mesmo organizador a proferir as palavras “Banana Motherfucker” ao microfone na apresentação de imprensa do festival, penso que decidimos unanimemente em avançar com o projecto.

O que vos deu mais gozo?

Foi, obviamente, ouvir o tal organizador do MOTELx, três meses depois, no dia de apresentação à imprensa, a proferir as palavras “Banana Motherfucker”. Mas, à parte disso, foi também a parte de filmar à socapa, que só por si traz obviamente muitas situações divertidas para contar. Filmámos ilegalmente em Sintra, o que levava a termos de interromper takes para nos escondermos entre as ervas de carros-patrulha da guarda-florestal , simulámos um incêndio que, devido aos berros do Fernando, levou pessoas, bombeiros e polícias a pensarem que estávamos de facto a morrer num 4º andar em Benfica, e ainda protagonizámos uma adrenalínica fuga de barco-a-remos naquela lagoa do Campo Grande quando o gajo dos bilhetes reparou que lhe estávamos a sujar os barcos de sangue. A parte mais divertida desta última situação foi a de sabermos de início que dessa cena só iriam ser cerca de 4 segundos aproveitados.

Supomos que tenha sido esse o maior gozo; filmar como quem pinta e grafita paredes por bons motivos.

O que foi mais difícil de fazer?

Conseguir fazer o Fernando Alle parecer um actor. Já o tínhamos tentado por diversas vezes ao longo da nossa pseudo-carreira de alunos de cinema, mas sempre sem sucesso. Por mais que tentássemos, os melhores takes do Fernando eram sempre, na menos má das hipóteses, caca di vaca. A certa altura filmámos o Trailer/Teaser para perceber se o estilo do filme iria resultar. Foi aí que, subitamente, o Fernando gritou que nem um génio/idiota, de uma forma bastante peculiar. Na escrita do argumento, transferir esse momento para a personagem dele foi o maior desafio.

Como se sentem por serem os candidatos que têm acompanhado desde o início esta iniciativa do Motelx?

Achamos excelente. Desde o início que o MOTELx nos apoiou ao seleccionar as nossas curtas e ao dar-nos a oportunidade de as exibir numa sala como o São Jorge para dezenas de pessoas. É sem dúvida o festival português de que mais gostamos e fazemos sempre questão de ir ao máximo de sessões e iniciativas do MOTELx. É um festival único em Portugal e por isso é uma honra termos competido três anos seguidos.

De forma sucinta, como caracterizas a evolução do terror em Portugal?

Positiva. Tem havido sem dúvida um maior interesse no género, e é bem possível que festivais como o MOTELx estejam a contribuir e a estimular cada vez mais a produção de filmes de terror, tanto por parte de amadores, como nós, como de profissionais.

Acham que a concorrência era muito forte?

Não tivemos oportunidade de ver tudo, mas gostámos imenso da curta “Os Milionários”, do Mário Gajo de Carvalho. Dentro do leque de imensas curtas de animação que se têm multiplicado nos últimos tempos a nível nacional, esta destaca-se de uma forma muito subtil pelo difícil e arriscado tom que assume. Também se singulariza por usar uma categórica animação à mão e por recorrer aos silêncios, personagens e acções de forma bastante pensada para criar um ambiente de tensão, suspense e até de humor. A melhor parte é a de tudo isso resultar numa pura história de terror, onde o dinheiro é o maior dos vilões. Por nós, podia sem dúvida alguma ter ganho, e não temos dúvidas de que irá conquistar prémios merecidos ao longo do ano.

Como foi receber uma menção especial do MOTELx?

Tínhamos receio que o júri pudesse não levar a sério um filme com uma asneira no título, por isso foi de certa forma gratificante que tenha havido reconhecimento pela menção especial. Já é a nossa segunda menção honrosa em três anos de competição, mas a nossa parte preferida desta jornada tem sido, sem dúvida alguma, as reacções que temos proporcionado ao público nas nossas sessões. Por isso, o maior prémio foi sem dúvida a organização do MOTELx ter decidido passar também o vencedor da Menção Honrosa na última sessão do festival, onde o público aplaudiu o filme de pé. Nunca o esqueceremos.

Alguma mensagem que queiras deixar?

Queria pedir aos leitores do Rua de Baixo que não conhecem a Clones para começarem a seguir os nossos projectos, que se tornem fãs no facebook, e que partilhem os nossos vídeos. Aqueles que já nos conhecem, que nos continuem a apoiar e um enorme obrigado pelo apoio que nos têm dado e por comprarem o nosso merchandise no site, que contribuiu muito para que o “Banana Motherfucker” fosse possível – de certa forma, se nos ajudarem estarão a ser Assistentes de Produção do nosso próximo filme.



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