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Bandcamp

Tomar as rédeas do próprio destino.

No início deste ano, uma das bandas de eleição de Ethan Diamond, um dos fundadores do Bandcamp (não consegui descobrir o nome da banda, devo dizer), deixou a sua label, gravou um álbum e distribui-o pela internet. Ao tentar adquirir o álbum, Ethan deparou-se com problemas no acesso ao site e no próprio processo de download. Teve inclusivamente de contactar a banda porque não conseguiu descarregar o álbum. O vocalista, compreendendo a situação que, por ventura, não seria caso único, disponibilizou um link directo para que o download pudesse ser realizado, visto que o  pagamento já tinha sido feito. Neste ponto torna-se pertinente colocar uma questão no ar: quantos de nós não teriam decidido partilhar o link com os amigos, que por sua vez o fariam com os seus amigos e por aí fora…

São cada vez mais as bandas que, numa fase da sua carreira, esteja ela ainda no início ou já em pleno andamento, decidem tomar as rédeas do próprio destino e abandonam a label a que se encontram ligadas (se é que já a têm). Os motivos que podem levar a este tipo de decisão podem ser variados. Criativos. Económicos. Até mesmo uma veia empreendedora. O próprio risco pode também funcionar como um motivador. Foi para estas bandas que o Bandcamp nasceu. À primeira vista parece ser só mais uma loja online mas não o é.  Querem diferenças? Aqui ficam algumas.

Imaginem que têm uma banda e que querem distribuir o vosso trabalho online. Plataformas para o fazer não faltam. Têm o MySpace, o iTunes ou a Amazon, só para referir algumas das mais conhecidas entre nós. Estes espaços virtuais armazenam as vossas músicas mas em troca levam com o logótipo tipo deles, com o URL deles, a publicidade deles. É impressão minha ou neste ponto a própria identidade da banda dilui-se um pouco? Se para uma banda com créditos firmados isto pode ser uma falsa questão, não o será com certeza para uma banda com pouco tempo de existência, por exemplo. No Bandcamp a coisa é diferente. O acesso está à distância de um registo. Cada banda tem direito a um microsite cujo aspecto é da sua total responsabilidade. Dêem uma vista de olhos no site de um dos mais proeminentes utilizadores do Bandcamp: Sufjan Stevens. O link está no lado direito da página. Se repararem com atenção, a única referência que encontram ao Bandcamp mal entram na página, está no próprio URL, junto ao nome da banda ou projecto.

Podem nunca ter comprado música online mas com certeza que já andaram a vasculhar a Amazon ou o iTunes. Provavelmente já clicaram numa faixa para escutar um pouco de uma música. E provavelmente ficaram frustrados porque queriam escutar a música na sua totalidade e não puderam fazê-lo por mais de 30 segundos. Experimentem fazer o mesmo no Bancamp. Uma vez seleccionado o play, a música só pára de duas formas distintas: se nós optarmos por assim o fazer ou se a música chegar ao fim. E podemos sempre escutar uma e outra vez. Sem custos. Se gostarmos mesmo, então podemos comprar. Independentemente disso podemos sempre continuar a escutar os temas. São álbuns inteiros que podem ser ouvidos nestas condições, sem quaisquer restrições. Um luxo. Uma abordagem distinta daquela a que estamos habituados e que, a crer pelos dados que vão sendo disponibilizados se está a revelar lucrativa para ambas as partes.

Liberdade de escolha é um termo que se aplica bem ao Bandcamp. Na grande maioria de lojas online, quando nos decidimos a comprar um álbum é nos imposto o formato em que este nos é disponibilizado. Na Amazon o formato é o MP3 a 256kbps. Já no iTunes impera o AAC a 128 ou 256 kbps. Neste aspecto vale a pena discutir dois factores. Já que se limita no tipo de formato do áudio, porque não se disponibiliza o mesmo na qualidade máxima (no caso dos MP3 é de 320kbps)? E porque não permitir que o consumidor opte pelo formato pretendido? O espaço ocupado por um ficheiro é cada vez menos importante e existem formatos sem compressão (como o FLAC), que asseguram uma melhor qualidade de áudio, à custa de uma maior ocupação de espaço. Estou em crer que são questões pertinentes e que têm a sua razão de ser. Sem entrar em grandes detalhes, as opções das grandes lojas podem ser facilmente justificadas como decisões de negócio. Se são ou não as mais correctas, isso já não sei e nem as pretende discutir aqui… Mas também não é isso que se pretende com este texto. Como já devem ter adivinhado o Bandcamp oferece estas possibilidades a quem pretender comprar música: MP3, AAC, Ogg ou FLAC. A decisão é deixada inteiramente ao critério de cada um de nós.

Ninguém ficará espantado se disser que o Bandcamp também precisa de dinheiro para continuar a existir e a crescer. O processo de financiamento é simples. Uma percentagem de 15% sobre cada venda reverte para o Bandcamp. Esse valor desce para 10% sempre que uma banda atinge vendas no valor de $5000.

Num mercado cada vez mais agressivo como o da música online, alguns podem ver a posição do Bandcamp como não sendo das melhores: tem pouco tempo de existência, uma biblioteca menor e menos poder financeiro que outros. Mas também não é complicado refutar estes argumentos… Apesar de ter só alguns meses de vida, o Bandcamp conta já com mais de 1 000 000 de temas disponíveis para venda e/ou audição gratuita. Para além disso funciona como uma óptima plataforma de lançamento para novas bandas, assegurando não só uma distribuição extremamente funcional e eficiente mas também uma boa plataforma de produção. O Bandcamp é um projecto que vale a pena explorar e ouvir mas o melhor é mesmo julgarem por vocês próprios. A sugestão está feita.



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