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BARREIRO ROCKS 2009

Chamam-lhe o maior festival de rock’n’roll ibérico. Nós chamamos-lhes os dois dias mais longos do ano

Chama-se Barreiro Rocks e, como o nome indica, é um festival de rock’n’roll que acontece anualmente no Barreiro. Contudo, nos dois primeiros anos chamou-se Pachuco Fest, referência à associação Hey Pachuco, responsável pela organização do evento e casa-mãe de bandas como os Ballyhoos, os Act-Ups ou os Los Santeros. Actualmente, afirmou-se já de tal modo no panorama nacional e até espanhol que há já muito boa gente que o descreve como o maior festival de rock’n’roll ibérico (basta atentar às opiniões da quantidade de espanhóis que se deslocam até ao Barreiro em todas as edições). Mas nós, frequentadores assíduos destas andanças, chamamos-lhe os dois dias mais longos do ano.

O cartaz este ano volta a não desiludir. Quando pensamos que pouca coisa nos pode surpreender, eis que a organização saca de um coelho da cartola. Depois de, no ano passado, o veterano Andre Williams ter vindo do outro lado do Atlântico de propósito para o Barreiro Rocks, este ano o encerramento do festival vai ficar a cargo de outra lenda, Tav Falco e os seus Panther Burns, um dos percursores do psychobilly. No primeiro dia, o cabeça-de-cartaz é Kid Congo Powers e os seus Pink Monkey Birds, que regressa ao nosso país e com quem tivemos de conversar (ver outra peça). E depois ainda há o regresso dos Tokyo Sex Destruction, que fazem do garage rock uma arma política, a quase estreia dos Singing Dears, a nova coqueluche da Hey Pachuco, Jon Ulecia, que muitos dizem ser o segredo mais bem guardado do rock espanhol e, claro, os imparáveis Los Chicos, os redefinidores do conceito de party-rock.

Os dias 11 e 12 de Dezembro antecipam assim o Natal, dando todo um novo sentido à palavra celebração. E a motor city portugues é cada vez mais o cenário ideal para isto. Mas afinal o que se passa naquele subúrbio do outro lado do rio Tejo, que em tempos era só fábricas e comunismo, e que agora parece não parar, com uma vida alternativa cada vez mais activa e que parece estar a rebentar do subsolo não tarda nada. Estas e outras perguntas respondidas na primeira pessoa por Carlos Ramos, da Hey Pachuco.

Barreiro Rocks, OutFest, Festival BOM… A Hey Pachuco, a Merzbau ou a Searching… Afinal de contas, que raio andam a pôr na água no Barreiro?

É sabido que os habitantes desta terra não ligam muito à água, portanto suponho que tenha mais a ver com os gases. Felizmente esta é uma cidade onde ainda há algumas pessoas ligadas às vertentes mais alternativas da música que se mexem, associam-se e fazem eventos com muita qualidade. Um dos quais, o arraial da juventude, no último fim-de-semana de Agosto, é obra da associação dessas várias entidades. O suburbanismo ajuda muito a que aconteça este tipo de situações. Pelas palavras sábias dos bem-estúpidos Bro-X [banda de hip-hop da Baixa da Banheira, perto do Barreiro], vivemos frente a uma cidade que serve apenas para olhar: trabalhamos nela, mas não podemos lá entrar. Assim sendo, fazemos a nossa própria festa. E estão todos convidados.

Quais as novidades e destaques do Barreiro Rocks deste ano?

Dois motivos de profundo orgulho: conseguimos ter no Barreiro o Kid Congo Powers e o Tav Falco. São duas personagens que há muito tentávamos trazer até cá. O resto do cartaz é também, como sempre, brutal. Penso que os concertos do Jon Ulecia e dos Tokyo Sex Destruction vão deixar muitas saudades. E, podem descansar, o Crooner Vieira estará por lá a apresentar e vai trazer uma pequena surpresa.

Depois de oito edições, o que falta ainda alcançar ao festival?

Conseguir meter mais gente a mexer no Barreiro, mais bandas de rock’n’roll, mais miúdos a interessarem-se no associativismo. Quanto ao festival em si, deve crescer com passos pequenos, sem perder a sua essência. Queremos atrair sempre mais gente mas sem perder o apoio dos fãs incondicionais, a quem o festival deve a vida.

Cinco bandas portuguesas [The Sullens, Los Santeros, Shake Shake and Show me Your Pussy, Singing Dears e Alto!] num cartaz de doze bandas: achas que isto prova que o rock em Portugal está cada vez melhor?

Só conto quatro bandas, deves estar enganado. Os Santeros são mexicanos, embora estejam muitas vezes por cá. O rock em Portugal está como em todo o mundo, bem e de boa saúde. E podia, potencialmente, estar melhor. É incrível a falta de clubes de rock neste país. É incrível a mentalidade das pessoas que gerem alguns espaços nocturnos e que esperam que seja a banda, que andou 200 quilómetros para lá chegar, que seja responsável por lhes fazer a casa. É incrível a forma como muitos municípios tratam a cultura em geral. Com todas estas dificuldades, só se pode concluir que o rock em Portugal tem muita força e saúde.

Este ano, os cabeças de cartaz voltam a ser dois veteranos, depois do Andre Williams no ano passado. Quem é aquele nome que ainda falta vir ao Barreiro?

Calma. Há veteranos e veteranos. Estes veteranos podiam ser filhos do André Williams (e daí, nunca se sabe). O momento em que esse senhor subiu ao palco foi histórico. Ainda há muitos nomes que podiam passar pelo festival, não necessariamente veteraníssimos. Lembro-me dos projectos do Mick Collins, uma das principais influências para o início deste festival em 2000, ou da linhagem dos Oblivians. E claro, se um dia o Nick Cave cá quiser dar um salto… Como se vê, dentro do rock podemos trazer artistas que tocam susceptibilidades bastante diferentes.

E por falar em veterano, o Crooner Vieira continua a ser o anfitrião. Ainda é possível imaginar o festival sem o Crooner Vieira?

Claro que não há ninguém mais “rock” que o Crooner. O Crooner Vieira passou a ser sinónimo de Barreiro Rocks. É o anfitrião e o homem que nos proporciona mais alegrias durante todo o ano. Nós, Hey Pachuco, não descansaremos enquanto não lhe for atribuída uma comenda ou algo do género. Porque ele canta e chora enquanto canta. É o melhor artista do universo!



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