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Barry Lyndon

O famoso farsante de Kubrick está de volta

O filósofo Jean-Jacques Rousseau defendia que o homem nasce bom e a sociedade é que o corrompe.
Raramente podemos ver como ocorre essa transformação, mas Barry Lyndon concede-nos um pequeno vislumbre.

Raymond Barry é um rapaz irlandês de origens humildes que se apaixona perdidamente pela prima. Quando esta troca Barry por um capitão do exército inglês, inicia-se uma série de eventos que conduzem Barry a um destino triste. Quando terminei de ver este filme achei que tinha visto algo verdadeiramente singular.

Este filme era diferente dos restantes de Stanley Kubrick, pensei eu. Mas a verdade é que Kubrick também realizou Spartacus e já nesse filme havia uma certa homenagem ao passado, uma adoração pela História.

Em Barry Lyndon o panorama de fundo escolhido é a Europa do século XVIII – dando-se enfâse especial à corte inglesa. O trabalho do realizador em retratar esse tempo é extraordinário. Dos trajes da nobreza aos belíssimos interiores e exteriores dos castelos, é bem visível a predileção de Kubrik pelo detalhe, algo também patente em outros filmes como Shining e 2001: A Space Odyssey.

O elenco do filme é bastante sólido, mas a menção especial vai para o actor Ryan O’Neal. O’Neal consegue a proeza de dizer pouco mas ser suficientemente expressivo – tal como o seu homónimo Gosling é no filme Driver. Existe uma cena que se destaca no filme, talvez por ser inesperada. Refiro-me ao brinde do casamento da prima de Barry. Se houvesse um top 10 de ‘os melhores brindes’ este seria um sério candidato a vencedor.

Barry Lyndon não é o filme perfeito, porém. Tal como em Gone with the Wind ou Ben-Hur, as suas 3h e 23 min podem tornar a experiência para o espectador um bocado fastidiosa. O Cinema Ideal tem agora em cena uma versão digital restaurada do filme. Se estiver disposto a trocar o tradicional balde de pipocas por uma bica, não hesite, uma grande obra de Kubrick aguarda por si.



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