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Battlefield 1 | Análise

Uma viagem ao passado com um misto de épico e de horror!

“Correr, ou andar a cavalo e observar outros confrontos a desenrolarem-se ao longo do cenário, por cima e ao nosso lado – aviões contra outros aviões, um perigoso e ameaçador comboio que avança sobre carris lá no horizonte na nossa direcção – é, no mínimo, arrebatador, num misto de épico com o enorme respeito pelo horror que na realidade se viveu neste período. Graças ao seu enorme poder gráfico, aliado a uma qualidade de som irrepreensível, a DICE fez com que este seja para mim o Battlefield que mais antecipo desde a já velhinha saga de Bad Company.” Foi desta forma que concluí o rescaldo da fase Beta da mais recente entrada na série Battlefield. Em suma, ficou a vontade de jogar mais, muito mais e confirmar se uma vez mais a DICE consegue elevar o género FPS a outro patamar. Fora outros grandes títulos mais antigos que o antecedem, a juntar-se a este legado, junta-se o já por si impressionante Battlefield 4 bem como Hardline e as suas perigosas ruas. Com Battlefield 1 a série convida-nos a viajar no tempo e regressar a um dos palcos mais marcantes da história da humanidade, a Primeira Guerra Mundial. Uma semana após o lançamento de Battlefield 1, aqui estamos para partilhar convosco a nossa experiência!

Sempre fui apologista de que se quero desfrutar ao máximo da experiência multijogador, há que primeiro conhecer as mecânicas de jogo e aprimorá-las. Neste caso, para mim, nunca houve modo melhor para as introduzir do que o modo história. Só que de histórias bem interessantes como a de Bad Company 2, com o desenrolar da série, passámos para outras demasiado lineares, desinteressantes até. Claro que o verdadeiro foco de Battlefield cai sobre a experiência multijogador e não sobre a história que complementa os seus jogos mas visto que, sem ser a atirar-nos de cabeça e “ver no que dá”, não há outra forma de aligeirar a nossa abordagem ao modo multijogador – familiarizando-nos com as classes, as armas e veículos – e é pena que, às tantas, o modo campanha da série pouco tenha feito para prender o interesse do jogador. Um passo atrás, dois à frente, que bom foi constatar que voltar atrás no tempo e repensar o sistema de jogo fez maravilhas a este Battlefield 1. Tal como nos títulos anteriores, as minhas primeiras horas foram passadas no modo campanha, lá está, para assegurar que a minha transição do single para o multiplayer não fosse (tão) esmagadora. À minha espera estava uma experiência arrepiante. Fugindo ao tradicional formato que nos faz acompanhar, durante várias horas o mesmo protagonista, a história de Battlefield 1 segue um rumo diferente. Como se de uma antologia se tratasse, em vez de uma, são seis as narrativas, ou melhor as War Stories (histórias de guerra) que temos para percorrer. Todas com protagonistas diferentes, estas histórias conferem ao jogador perspectivas que captam muito bem o ambiente de terror e de incerteza que pairava sobre os milhões de homens que deram as suas vidas num dos eventos mais sangrentos de que há memória.

Não vos vou contar muito para não vos estragar nada mas asseguro-vos que a campanha de Battlefield 1 vale muito bem a pena. Aliás, depois de completarem o prólogo que vos coloca lado a lado com os soldados dos Harlem Hellfighters em França, numa luta em vão contra o avanço das forças alemãs, é impossível ficarem indiferentes ao que acabaram de jogar e não ficar com vontade de ver mais. Heróis tão improváveis, alguns deles, membros daquela que foi muitas vezes designada como a geração perdida, em histórias onde mesmo o simples condutor de tanques, ou o arrojado piloto de aviões e ainda a fiel seguidora de T. E. Lawrence (mais conhecido por Lawrence da Arabia), tanto têm para dizer. Aliado a todo esse sentimento, está uma banda sonora de enorme qualidade e um grafismo de excelência que, qual diabinho no nosso ombro nos pisca o olho e nos suspira ao ouvido: “a guerra foi um verdadeiro horror mas olha lá para o ecrã e repara lá no espetacular que é aqui no Battlefield 1.” Posso também dizer que a acção que se desenrola neste modo é a que, em toda a série, melhor equilibra a experiência single e multiplayer. De forma bem pertinente vamos ficar a conhecer todas as armas disponíveis no jogo, bem como algumas das suas variantes e também os veículos que neste jogo assumem um papel ainda mais predominante no campo de batalha.

 

Os cenários são todos eles vibrantes e, de tão enormes que são, convidam a várias abordagens diferentes. Muitas vezes a narração, bem como os próprios cenários, convidam-nos a aplicar uma abordagem mais furtiva. É extremamente gratificante mas não é uma obrigatoriedade. Aliás, a concepção dos cenários assim como o leque de armas que neles vamos encontrar dão prova disso mesmo. A cavalo ou a conduzir um imponente tanque, a pé na mais densa floresta ou à chuva, a percorrer a “terra de ninguém” com um companheiro aos ombros, são vários os momentos marcantes que fazem desta uma experiência sem precedentes. E isto não só na série mas também no género. Só tenho uma coisa a apontar na história de Battlefield 1 que é o facto de não oferecer um olhar sobre o outro lado das trincheiras. Não só dos aliados deve rezar a história.

No que toca à jogabilidade, esta surge muito mais refinada mas igualmente rude em termos de armamento, devido ao período em que se insere. A Primeira Guerra Mundial trouxe consigo o amanhecer de um enorme e diverso avanço tecnológico mas que ainda era muito experimental e isso reflecte-se no que vamos encontrar e levar para o campo de batalha. O sistema melee foi alvo de aprimoramenteo e agora podemos contar com um maior leque de armas, como bastões e pás mas e quanto às classes? De fora fica, agora, o Engineer que dá lugar à estreia da classe de Assault. Esta classe especializa-se em fazer frente aos veículos e pode empunhar SMGs e Caçadeiras. De volta ao campo de batalha está o Medic mas uma vez que o uso de desfibrilhadores no campo de batalha é ainda coisa do futuro, o que esta classe usa para curar os seus companheiros de esquadrão é uma poderosa seringa. Já a sua arma de eleição é uma espingarda semi-automática. Outra classe que regressa para BF 1 é a de Support. Munidos por uma metralhadora ligeira, são eles quem reabastecem as nossas preciosas munições e também quem repara os veículos da nossa equipa. Finalmente os famigerados Scouts – mais conhecidos por “aquele palhaço plantado atrás dos arbustos ou no cimo de uma montanha” – uma vez mais voltam ao campo de batalha para preencher a vaga de franco-atirador. São eles que identificam a presença de inimigos no mapa, se bem que agora para o fazer é preciso uma maior precisão e ter em conta que este efeito dura menos tempo se compararmos com títulos anteriores. Esta classe pode também recorrer a uma Flare Gun e outras armadilhas para ajudar a revela a presença de adversários nas suas imediações.

A este leque de classes, juntam-se ainda outras classes, consideradas de spawn. Os veículos são mais escassos em Battlefield 1 e por isso em cima de um cavalo assumimos a classe de Cavaleiro mas se regressarmos ao mapa dentro de um tanque ou avião, podemos assumir ainda mais duas classes como o Tanker e o Pilot. A DICE mostra que aprendeu também com o que implementou em Star Wars: Battlefront e isso traduz-se na presença de classes elite no jogo. Para as desbloquearmos no campo de batalha é preciso encontrar no cenário a arma que a elas corresponde. São elas o Tanker, o Flame Trooper e o Sentry. No campo de batalha, reina o caos. As armas de tão rudimentares que são mostram-se pouco viáveis a quem as utiliza e há que saber gerir o recuo dos tiros que disparamos evitando criar uma abertura para que sejamos alvejados por um inimigo. Disparem pausadamente e nunca freneticamente, experimentem todas elas e vejam quais as que se adequam ao vosso estilo de jogo. Quando o fizerem estão prontos para o verdadeiro desafio deste jogo que é o modo multijogador.

 

Nove mapas para seis modos de jogo e nunca o meu modo preferido fez tanto sentido num Battlefield. Uma vez mais o modo Conquest está presente em toda a sua glória obrigando a um máximo de 64 jogadores a lutar pela vitória. Os cenários são enormes e permitem imensas abordagens mas é pena que muitas vezes sejam demasiado abertos, oferecendo uma enorme vantagem ao Scout mais experiente. O posicionamento continua a ser um aspecto fulcral, bem como o trabalho em equipa, por isso não se preocupem muito com as mortes e foquem-se na captura de objectivos. Mas há mais modos, claro, de regresso está o intenso modo Rush e o Team Deathmatch aquele que a DICE sempre teve problemas em balançar por ter lugar em ambientes mais fechados, o que leva a uma maior falta de balanço entre as várias armas e equipamentos. As duas estreias no modo multijogador são o modo Operations e War Pidgeons. Em operations a acção tem lugar em mapas retirados de momentos emblemáticos da Primeira Guerra e divide-se em rounds. A atacar ou defender a acção divide-se em rounds. O papel está mais dificultado para quem defende as suas posições visto que a cada ronda perdida a equipa atacante volta ainda mais forte, apoiada por um enorme Zeppelin, ou um comboio sobre carris. A atacar ou defender a acção é frenética e esta é sem dúvida uma grande adição ao modo multijogador de Battlefield. Já o modo War Pidgeons pode parecer menos pertinente mas é também ele divertido. Aqui, duas equipas terão de capturar um pombo com o qual irão enviar coordenadas à sua base. Sejam bem sucedidos e vejam um ataque de artilharia a desabar sobre os vossos inimigos.

Esta é sem dúvida a melhor entrada na série Battlefield. A série voltou atrás no tempo para um dos períodos mais marcantes da história da humanidade e conseguiu elevar não só a série mas todo o género FPS a um novo patamar. O modo história oferece-nos momentos bem marcantes mas indica-nos também que a vitória tem um sabor bem amargo se considerarmos o plano geral da Primeira Guerra Mundial. A jogabilidade, essa continua a surgir bem refinada, se bem que algo rude devido ao armamento que temos agora disponível. O leque de armamento é impressionante e todo ele vasto e aberto às mais diversas abordagens mas há que saber manuseá-lo para que não nos coloque em desvantagem face a um adversário mais experiente. O som que acompanha toda a acção é irrepreensível, bem como o grafismo que é no mínimo impressionante e que nos confere um misto de épico e de terror por toda a acção que se desenrola no nosso ecrã. Decididamente uma experiência incontornável para qualquer fã do género!



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