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Beautiful Boy

Gostamos de histórias verídicas. Gostamos da dor e dos factos. Da veracidade das histórias que podiam ser nossas e habitar dentro dos nossos lares. E há muito cinema assim. Mas raros são aqueles que conseguem dialogar connosco como consegue "Beautiful Boy".

Esta é uma história que é o relato da vida real de David e Nic Sheff (pai e filho), construída a partir do livro biográfico do pai, “Querido Menino“, que relata a sua luta contra a doença do filho. Sim, doença. O vício e a dependência de drogas e a vida em constante rotação depressiva não é um acaso ou um azar. E, se dúvidas existissem, estes 180 minutos de um cinema altamente realista, sensível e quase demasiadamente humano aniquilaram-nas por completo.

Um filme a ver, rever, e com o qual tanto podemos aprender

Aniquilar é também aquilo de que Nic se vê privado em relação ao seu vício das drogas, das quais a metadona sobressai enquanto substância invencível na vida de um jovem que aparentemente tem tudo para ser feliz. E o quanto dói assistir, sabendo que tudo aconteceu de facto assim. A dor é também senhora e protagonista principal neste enredo onde somos constantemente confrontados com ambos os pontos de vista: pai e filho. O foco, em toda a duração do filme, acontece em quem está a viver de mãos dados com a dor, quem sofre e desespera. Estamos perante um narrativa espantosamente bem construída, onde os momentos de sofreguidão são intercalados pela felicidade das mais recentes crianças da família que ora saltam sobre a água de uma mangueira num solarengo sábado à tarde, ora conseguem ser peças chave de um labirinto autodestrutivo que parece não ter fim.

Gostamos de histórias verídicas. E este filme não é apenas uma história verídica. É o retrato daquilo que pode acontecer a qualquer um de nós, em qualquer uma das nossas famílias. Uma doença que chega e assola sem bater à porta e onde, apesar de tudo estar bem, tudo se desmorona. Um filme a ver, rever, e com o qual tanto podemos aprender.



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