Bebel Gilberto

Filha e sobrinha da música brasileira, traz a Portugal o seu novo álbum em dois concertos a não perder.

Quero mostrar ao mundo que a música brasileira não é apenas “A garota de Ipanema”

Bebel Gilberto

Há muito tempo que o povo português sabe que a música brasileira é muito mais do que a maravilhosa composição de Tom Jobim. Sabemos e conhecemos a grandiosidade da música brasileira nas suas mais diversas vertentes, desde o samba à bossa nova, passando pela música ligeira e, mais recentemente, pelo drum ‘n’ bass. O mundo começa a interessar-se cada vez mais e tem partido à descoberta de novos artistas, novas vozes e novas ideias. Bebel Gilberto é uma das emigrantes brasileiras que tem ajudado a abrir os horizontes de todos aqueles que se interessam e procuram conhecer a magnitude da música brasileira.

Filha de João Gilberto e de Miúcha (e sobrinha de Chico Buarque), Bebel nasceu em Nova Iorque e esteve desde sempre em contacto com a música, não fosse o seu pai um dos nomes mais importantes da música brasileira de todos os tempos (A lenda da bossa nova) e sua mãe uma intérprete de luxo. Estreou-se em disco apenas com sete anos num registo da mãe, sendo que dois anos depois pisou os palcos pela primeira vez no Carnegie Hall em Nova Iorque ao lado de sua mãe e de Stan Getz, uma das lendas do Jazz.

Regressada ao Brasil, Bebel nunca conseguiu encontrar o espaço que precisava para expor a sua música e em 1991 voltou à sua cidade Natal, Nova Iorque, sem qualquer expectativa, nem poder monetário, à procura do caminho para o sucesso. Depois de ter sido empregada de café e pousado como modelo, conseguiu escalar o muro das oportunidades tendo participado com artistas como David Byrne e Thievery Corporation, conseguindo levar à grande metrópole a bossa nova brasileira.

O seu primeiro disco a solo, “Tanto Tempo”, foi lançado em 2000 pelo selo Ziriguiboom da belga Crammed, e foi um dos discos do ano na categoria World Music. Produzido pelo jugoslavo radicado no Brasil, Suba — que morreu pouco antes do lançamento do disco — “Tanto Tempo” traz regravações de clássicos da bossa nova como “Samba da Benção” (Baden Powell/ Vinicius de Moraes) e músicas do seu tio Chico Buarque (“Samba e Amor”), além de uma versão produzida por João Donato de “Bananeira” (Donato/ Gilberto Gil). No ano seguinte, Bebel lança “Tanto Tempo Remixes”, uma compilação de reinterpretações, das músicas de “Tanto Tempo” onde se podem encontrar nomes como o brasileiro Monoaural de Kassin e Berna Ceppas.

Passados quatro anos desde a primeira aventura discográfica, Bebel regressa com um novo registo, homónimo, que espelha os quatro anos de vivências após “Tanto Tempo”. É um disco mais solitário, mais pessoal, onde os instrumentos e a electrónica são tímidos, mas ao mesmo tempo essenciais, e onde a voz de Bebel ganha o destaque que merece. Gravado entre as cidades de Nova Iorque, Londres, Rio de Janeiro e Salvador da Baía, este novo trabalho contou com a importante produção do teclista Marius de Vries (na enorme lista de trabalhos encontram-se nomes como Björk e Madonna) que também colaborou na composição de alguns temas. O álbum conta ainda com diversas participações (até a da sua mãe) e reflecte todos os gostos de Bebel, tornando-se num registo bastante íntimo onde parece piscar o olho ao seu lado mais “songwriter”, muito na voga nos últimos tempos, utilizando muitas vezes a língua inglesa como meio de transmissão de ideias e conceitos.

É esta Bebel Gilberto que vai estar entre nós nos próximos dias 24 e 25 de Outubro, no Coliseu do Porto e Aula Magna respectivamente, trazendo ao nosso país o seu lado mais intimista e puro, nunca esquecendo as raízes rítmicas brasileiras que lhe estão no sangue. Para quem gosta de música, são dois concertos a não perder.



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