Belle & Sebastian @ Coliseu

Os mestres da pop.

Depois de muitos anos de espera, os Belle and Sebastian actuaram pela primeira vez em Lisboa, no passado dia 17 de Julho, e encantaram todos aqueles que estiveram presentes no Coliseu dos Recreios. Pelo palco lisboeta passaram dez anos de história e de canções que vão ficar para sempre nos compêndios da música popular mundial. Uma noite memorável, que contou com a excelente participação dos Pop dell’ Arte na primeira parte do concerto.

Numa noite normal, a estreia em Lisboa dos B&S significaria casa cheia, particularmente se a “casa” em questão fosse o Coliseu dos Recreios. A verdade é que a noite de dia 17 de Julho sofreu alguns condicionalismos externos. A interessante agenda de concertos (Sigur Rós na noite anterior, Kanye West na mesma noite, Pixies três dias depois e The Strokes no fim-de-semana), a aproximação dos festivais de Verão e a época de férias que alguns felizardos já atravessam, podem explicar o vazio dos camarotes e o espaço que existia na plateia, que mesmo assim encontrava-se a 3/4 da sua capacidade. Felizmente, o ambiente “quase cheio” tornou o concerto mais interessante e sentiu-se a cumplicidade entre a banda e o público, repleto de “verdadeiros” fãs e de alguns espectadores casuais.

Com o atraso da praxe, cerca de 25 minutos, os Pop dell’ Arte subiram ao palco, para apresentarem algumas das músicas mais emblemáticas da banda, agora reunidas na colectânea “POPlastik”. Provavelmente a banda de João Peste não seria a melhor opção para abrir um concerto de B&S (na realidade, assim de repente, também não me estou a lembrar de outra), mas a prestação do grupo de Campo de Ourique surpreendeu pela positiva. Nota-se que a banda se encontra em excelente “forma”, resultado do conjunto de concertos que têm dado no decorrer deste ano, onde a teatralidade de João Peste ganha cada vez mais evidência, com o excelente jogo de luzes apresentado. «Querelle», «Sonhos Pop», «Illogik Plastik» e «Stranger than summertime» (um dos inéditos de POPlastik) foram alguns dos temas interpretados, que comprovaram o excelente momento dos Pop dell’ Arte e o seu estatuto como um dos projectos mais emblemáticos da música nacional.

Considerados por muitos como a “melhor banda pop dos últimos 10 anos”, os Belle and Sebastian estrearam-se em Lisboa com um concerto memorável. Perante uma plateia familiarizada com a discografia da banda, os escoceses aproveitaram este concerto para “navegar” nos dez anos de carreira, tendo obviamente como mote “The Life Persuit”, o último registo da banda, editado no decorrer deste ano.

«Expectations», tema de “Tigermilk”, primeiro registo da banda, deu início ao fantástico rol de canções que passaram pelo palco do Coliseu. Desde cedo se percebeu a boa disposição dos escoceses e a enorme afinidade com o público português. Durante todo o concerto, Stevie Jackson e Stuart Murdoch, para além de músicos, foram verdadeiros entertainers. Com um sentido de humor peculiar e com uma relação descontraída com a audiência, transformaram um “mero” concerto numa autêntica festa, tendo definitivamente “conquistado” os portugueses, quando Stuart afirmou: “You’re definitely a better audience than Madrid!”. Será que existe melhor elogio?

“The Life Persuit” foi, obrigatoriamente, o disco mais representado na noite do Coliseu. Embora este último registo não seja “consensual” no seio dos fãs da banda escocesa, as canções que o compõem ganham uma outra dimensão ao vivo (por exemplo «Sukie In The Graveyard» ou «For The Price Of A Cup Of Tea»). Obviamente que os temas mais desejados incidiam sobre os álbuns mais antigos, que felizmente não foram esquecidos: «The State I Am In», faixa número 1 do primeiro álbum da banda, «Tigermilk»; «Like Dylan In The Movies» e «Get Me Away From Here I’m Dying», do emblemático disco de 96 “If You’re Feeling Sinister” e a recuperação de «Jonathan David» e «Le Pastie de la Bourgeoisie», dois temas editados em EP’s (também fazem parte da colectânea “Push Barman to Open New Wounds”), que proporcionaram dois dos momentos mais sublimes da noite.

Perante uma colecção de canções tão vasta e rica, muitos temas ficaram de fora do alinhamento escolhido para o concerto do Coliseu (foi pena que «The Fox in the snow» tenha sido apenas sussurrada por breves instantes). Seria uma tarefa muito árdua, para não dizer impossível, agradar a “gregos e troianos”. A verdade é que a setlist escolhida não deixou ninguém desiludido e todos saíram do Coliseu com um enorme sorriso, depois de uma sublime demonstração que a boa música popular é uma arte e que os B&S continuam a ser os mestres.



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