Ben Harper

O regresso que, desta vez, se justifica. Dia 4 de Outubro, no Pavilhão Atlântico

Actualmente, Ben Harper é um dos artistas que se associam geralmente à geração morangos com açúcar, jovens adolescentes que vão mantendo o reggae e as descartáveis “canções à volta da fogueira” no topo das playlists nacionais, por lhes recordarem, sobretudo, a praia, o mar e o verão.

O que é certo é que acaba por ser uma associação injusta para com Ben Harper, que de descartável tem muito pouco. Mas quem brinca com o fogo arrisca-se a queimar-se. Quem o mandou andar a apadrinhar os seus amigos Jack Johnson e Donavon Frankenreiter?

No entanto, basta lançar um breve olhar sobre a sua carreira para detectar a relevância de Ben Harper na música norte-americana dos últimos anos. “Fight For Your Mind” ou “Burn To Shine” foram alguns dos álbuns que o tornaram, defitivamente, no sucessor do legado musical afro-americano, do blues do Mississipi ao rock de Jimi Hendrix, estritamente ligado a um cancioneiro tipicamente americano, de Tom Petty a Bruce Springsteen.

Contudo, nada disto é novo para os portugueses; Ben Harper tem presenteado o público nacional com visitas regulares e quase anuais. No entanto, desta vez o regresso é diferente – o concerto único anunciado para o dia 4 de Outubro, no Pavilhão Atlântico, traz predicados suficientes para convencer até os mais cépticos.

Estes predicados encontram-se todos reunidos sob o título “Both Sides Of The Gun”, o último álbum de originais de Ben Harper, lançado no mercado o ano passado. Tal como o próprio título, “Both Sides Of The Gun” é um disco duplo com uma identidade “dupla”: de um lado a vertente acústica e intimista, que tanto cita o folk de Bob Dylan como os blues de Son House; e do outro a vertente rock, que absorve três décadas de influência musical afro-americana, de Stevie Wonder a Jimi Hendrix, do blues ao gospel (talvez ainda sob influência dos Blind Boys Of Alabama, com que colaborou nos últimos tempos).

“Both Sides Of The Gun”, o álbum que serve de pretexto a mais esta visita de Ben Harper ao nosso país, é um dos álbuns fundamentais para se compreender a obra do eclético músico norte-americano. Como de costume, adivinha-se um Pavilhão Atlântico cheio para o receber. Mas desta, o regresso vez volta a fazer sentido.



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