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Benjamin Clementine @ Campo Pequeno (29.03.2018)

A componente teatral injectada nos novos temas deve ser um dos factores que torna tudo mais esquisito para grande parte do público

A fogosa relação entre Benjamin Clementine e Portugal é actualmente bem conhecida e documentada. Não se estranhou por isso que o músico se tenha ajoelhado perante o público nacional, que retribuiu à altura esgotando os bilhetes nesta noite, mal pisou o palco do Campo Pequeno.

Mas se o nosso País demonstra repetidamente apreço pelo auto-intitulado extraterrestre, não é menos verdade que Benjamin Clementine também vislumbrará imensos extraterrestres na audiência enquanto interpreta as canções do seu segundo álbum, “Tell A Fly”. Ao ponto do músico ter mesmo comentado que sabe que são “esquisitas”, acrescentando que “não há nada de errado em ser esquisito”. Posteriormente comentou ainda que sabia que a maioria da multidão estava à espera dos temas do primeiro disco. E nota-se perfeitamente que uma grande parte do público que esteve no Campo Pequeno terá apanhado o comboio Clementine um pouco mais tarde e que está ainda a descobrir e  deglutir o surpreendente “At Least for Now”, editado há precisamente três anos.

A componente teatral injectada nos novos temas deve ser um dos factores que torna tudo mais esquisito para grande parte do público. E é uma pena que se notasse que a mensagem não estava a passar, nem provavelmente quando os músicos em palco desmantelaram os diversos manequins que povoavam o cenário, enquanto Benjamin cantava I do agree, a deal of men are purely evil, for whereas I was born with a spoon in me mouth, Others are nurtured with a bullet in their hands, em «Quintessence». Ou quando Benjamin se questiona sobre o paradeiro do Turkish boy from Camberwell , durante «One Awkward Fish», enquanto movimenta o mais pequeno dos referidos manequins. A plateia vai reagindo apenas quando há um fogacho vocal por parte do intérprete britânico.

Para a performance da faixa de abertura do disco de estreia subiu ao palco um grupo de cordas com uma dúzia de elementos, que acabaram por permanecer ainda que não participassem nalguns dos temas seguintes. «Winston Churchill’s Boy» foi de resto a grande novidade em termos de alinhamento, que foi bastante semelhante ao tocado em Agosto no Vodafone Paredes de Coura. Tal como no festival minhoto Benjamin Clementine procedeu à lição de canto à boleia do refrão de «Condolence», não tendo no entanto sido o único episódio nessa matéria. Precisamente na sequência de «By The Ports of Europe», executou uma autêntica viagem de circum-navegação pelas bancadas do Campo Pequeno, com o trio de músicos que o acompanhou na íntegra durante o espactáculo, ao longo da qual apenas gritaram a plenos pulmões “Portobello”, fomentando incessantemente a participação de todos os presentes. Surgiram de surpresa numa das bancadas, para gáudio da multidão, tendo-se deslocado até à saída mais longínqua sempre insistindo em “Portobello”.

Benjamin Clementine recusou terminar a actuação com «Adiós» e decidiu mostrar os seus progressos nas lições de guitarra, instrumento que tem estudado nos últimos tempos, apresentando um número de blues psicadélico meio disforme. No dia seguinte a esta actuação foi anunciada a presença de Benjamin Clementine no Super Bock Super Rock, onde trocará novos votos com o nosso público.

Alinhamento

– God Save The Jungle
– Phantom Of Aleppoville
– One Awkward Fish
– I Won’t Complain
– Winston Churchill’s Boy
– London
– Condolence
– By The Ports of Europe
– Quintessence
(encore)
– Jupiter
– Nemesis
– Adiós

 



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