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Beyond the Valley

Do outro lado do vale...

É em Londres. É moda, arte, design. É criatividade e carne fresca. É recente e é boa. E se tivesse aberto portas noutros tempos teria sido, certamente, na vizinha rua Carnaby. Mas não é. Contudo, faz hoje juz ao nome, porque a Beyond the Valley é mesmo do outro lado desse vale.

Inovadora, rebelde e criativa, a moda dos anos 60 pertenceu a Londres. Por lá, enquanto a Mother Mary dava concelhos e todos queriam viver num grande submarino amarelo, a saia das raparigas subia e o plástico tornava-se rei. A ideia era “everything goes” e “do your own thing”. A arte saltava das telas para os tecidos, a conjuntura económica e social reflectia-se nas roupas e a esquizofrenia de estilo era o única maneira de sobreviver na selva que foram os 60’s.

Depois do “New Look” de Dior ou do fato Chanel, dos anos 50, a moda na década seguinte pertencia à juventude e fazia-se na rua. Foi então que surgiram as famosas boutiques independentes  que faziam os deleites de quem por elas passasse.

No distrito de Soho, era por Carnaby que se passeavam os fashionistas, quer fossem eles Mods ou Hippies. Se nos encostássemos a uma das suas esquinas, poderíamos correr o risco de passarem por nós os The Beatles ou os The Who ou até mesmo os Rolling Stones  quer fosse a caminho do famoso Marquee Club ou a entrar em lojas como Kleptomania, His Boutique ou Ravel  que aí se estabeleceram.

A rua era tão famosa por causa das suas boutiques que teve até direito a menção na Times em 1966.
Mas Carnaby perdeu-se no tempo e as boutiques aos poucos foram desaparecendo, dando lugar a lojas de marcas comerciais e mainstream. Carnaby é hoje das grandes marcas, das massas. Mas nem por isso Londres deixa de ser uma das grandes capitais da moda, status que foi garantindo com novos rostos saídos de escolas como London College of Fashion ou a Central Saint Martins.

Jo Jackson, Kate Harwood e Kristjana S. Williams são exemplo disso. Saídos da Saint Martins, depois de estudar Design Gráfico e Marketing de Moda, sentiram na pele as dificuldades de quem entra no mercado. Depois de chegarem à conclusão de que Londres tinha hoje, ao contrário de outros tempos, pouco mercado para os jovens criadores e talentos saídos das escolas, e porque the grass is always greener on the other side of the hill decidiram, em 2004, abrir a Beyond The Valley, a “boutique” do nosso tempo.

O conceito é simples: uma loja no coração de Soho, onde jovens criadores de moda, design ou arte podem vender as suas peças, com uma única condição: estas têm de ser únicas e inovadoras. Uma porta aberta, para um mercado fechado. Mas o facto de a Beyond the Valley se situar numa das zonas mais conhecidas pela suas lojas de High End não é por acaso. É porque aí ganha visibilidade, “As pessoas param e olham”, diz Jackson, e é disso que os jovens que agora começam precisam. Se outrora por lá se passeava Mary Quant, hoje podemos encontrar personalidades como Yvan Rodic, um dos mais famosos coolhunters do momento, de máquina fotográfica em punho.

A loja situa-se em Newburgh Street, uma das ruas circundantes a Carnaby Street. Assim como nos anos 60, a moda continua a pertencer a Londres, mas hoje, esta vive também beyond that valley.



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