Biffy Clyro | “Opposites”

Biffy Clyro | “Opposites”

Os opostos atraem-se

“Opposites” é o sexto álbum de estúdio dos escoceses Biffy Clyro, lançado no início do mês de Fevereiro. Depois do sucesso do anterior “Only Revolutions”, que lhes valeu uma platina em 2010, a banda escocesa ensaia seguir o mesmo trajecto com este disco duplo. Tal como na obra que incluía os orelhudos «Bubbles», «Shock Shock» e «Many of Horror», o trio volta a investir na sua vertente pop-de-massas, derivada do registo vocal do guitarrista e vocalista Simon Neil, que em muito se assemelha ao de Gary Lightbody dos Snow Patrol. Exemplos disso são «Skylight», «Biblical», «Opposite» e o single «Black Chandelier» que repousam calmamente em melodias cativantes.

“Opposites” é variado o quanto baste. Tomando como exemplos o el mariachismo presente em «Spanish radio» e o bluesy de «Trumper or Tap», os Biffy Clyro conseguem, assim, enriquecer este álbum em termos de sonoridade.

Apesar dos primeiros segundos desinteressantes de «Different People», tema de abertura do álbum, a banda redime-se, alguns versos depois, com um excelente exercício de ritmo na bateria e alguma força nos riffs de guitarra. Ainda que a maior parte das faixas que constroem este trabalho contenham em média entre três a quatro minutos, o facto do álbum compilar 20 temas torna o disco algo pachorrento, não ombreando, todavia, com o enfadonho, e também duplo, «Stadium Arcadium» – dos californianos Red Hot Chili Peppers –, a verdadeira odisseia desgastante. Uma cuidada triagem neste “Opposites”, reduzindo-o a metade, teria sido uma mais-valia e beneficiado substancialmente a sua escuta.

Os Biffy Clyro são um bom exemplo de que os opostos se atraem, conseguindo-o na perfeição em temas com o «Black Chandelier», no qual a melodia popeana é rasgada de súbito por um interlúdio de índole metal, já perto do fim. Uma banda que tem como característica, segundo a crítica, o revivalismo do rock dos anos 70, necessitava de mais rigidez em alguns temas. Tal só acontece na passagem para a segunda metade deste trabalho na sequência «Stingin’ Belle» e «Modern Magic Formula». A primeira exprime-se através de uma fase pesada de guitarra e um competente apontamento de gaita-de-foles apoiado sobre um rufo de tarola. A segunda, talvez a faixa com mais peso de todo o álbum, apoia-se numa vigorosa base rítmica, com a bateria a assumir o papel principal da canção. É este, portanto, o ponto alto deste trabalho que pouco sublinha a vertente rockeira dos Biffy Clyro.



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