Black Mirror | Netflix

O sistema não está em crise, foi feito desta maneira

Nem todas as séries têm de ter a estrutura do “CSI” ou do “Walking Dead” mas a verdade é que a maioria têm. No entanto “Black Mirror” não é a maioria das séries, até porque, apesar da presença de alguns americanos, é de origem britânica. Quando dizemos britânica não nos referimos nem à “BritCom” nem a “Luther”, até porque provavelmente não existe nenhum precedente para Black Mirror, pelo menos que seja facilmente identificável, já que a série não depende propriamente de uma narrativa que ligue os episódios. “Black Mirror” vive duma premissa, que não é nada mais complexo do que o lado negro da tecnologia.

Quando muito, a série mover-se-ia pelo território de “Twilight Zone” da década de 50, apesar das situações apresentadas nos seus episódios não serem do outro mundo, estando claramente enraízadas no nosso quotidiano. É aqui que a série se pauta pela diferença, ao apontar a relação da humanidade com a tecnologia, numa perspectiva de dependência, quando não de obsessão, facto sobejamente discutido por estes dias e ao qual não prestamos atenção de tão alienados pelo hedonismo das últimas tendências.

Não estivesse o mundo a tornar-se uma sátira mal amanhada da ficção científica dos anos 50 e poderia facilmente dizer-se que Black Mirror era uma distopia, mas quando se vêem episódios como “Nosedive” em que a ascensão social e profissional depende do rating de popularidade atribuído pelos cidadãos com que nos cruzamos ou “The entire history of you” em que todas as pessoas têm um chip implantado na cabeça que arquiva todas as memórias, podendo estas ser transmitidas em qualquer ecrã e rebobinadas, não é preciso nenhuma aplicação para perceber que o futuro já está escrito e apenas temos andando a olhar para o sítio errado.

Enquanto não estreia a quarta época que promete um orçamento maior e um episódio realizado por Jodie Foster, as três primeiras estão disponíveis no Netflix Portugal à distância de dois cliques, tal como a humanidade sonhava há 100 anos atrás.



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