Blade Runner 2049

Blade Runner 2049

Denis Villeneuve deu-nos um filme para mais 35 anos.

Quando em 1982 o filme “Blade Runner” de Ridley Scott estreou nos Estados Unidos da América eu tinha meses de vida, por isso não assisti à onda de entusiasmo que o transformou num dos grandes filmes da história do cinema. Recentemente vi o filme pela primeira vez e achei-o de uma beleza visual extraordinária e com uma banda sonora perfeita. Passados 35 anos e quando já vi filmes que recorrem a inúmeros artifícios tecnológicos, “Blade Runner” transmite vigor e intensidade.

Dita a história do cinema que a “sequela” raramente é sinal de sucesso, por isso, quando, o ano passado, foi anunciada a continuação de um filme que tem tantos fãs e que envelheceu tão bem, houve quem duvidasse e baixasse as expectativas. “Blade Runner 2049” estreou este mês de Outubro e ao que parece, pelas redes sociais e críticas, não conseguiu agradar a todos.

Denis Villeneuve foi o realizador escolhido e desta vez Ridley Scott foi o produtor executivo. Villeneuve foi quem 2015 dirigiu “Sicário – Infiltrado” e em 2016 “Primeiro Encontro”. Para mim foi um dos melhores filmes desse ano, “Primeiro Encontro” tem uma construção narrativa e visual muito marcante. Ao ver “Blade Runner 2049” encontrei vestígios dessa fórmula, mas agora muito mais consolidada. O realizador recorre ao silêncio das personagens, a grandes planos dos ambientes e paisagens e a belíssimos momentos de descrição visual, para transmitir a solidão das personagens, a ruína daquela sociedade e a devastação do planeta.

A acção tem lugar em Los Angeles, no ano de 2049. Os humanos partiram e a Terra é povoada por uma nova geração de replicantes, humanóides mais inteligentes e mais obedientes do que os que existiam na primeira narrativa. Ryan Gosling, interpreta “K”, um replicante “blade runner” que “desactiva” antigos modelos de replicantes. Numa missão “K” encontra um replicante que guarda um segredo que pode alterar a ordem social que separa humanos e replicantes. À boa maneira do género Noir, “K” desenrola o novelo de pistas até chegar à verdade.

Sendo uma história que tem lugar num mundo feito de cidades e escombros, em que a Natureza foi extinta, é interessante ver como a ideia de Solidão tem ecos nas personagens humanóides e humanas. Recordo como em algumas cenas encontramos replicantes a exporem-se à chuva ou à neve, para se ligarem à realidade, expressando esse desejo tão humano que é sentir. Ou como “K”, compra um kit para tornar mais real a sua mulher virtual. Já o “ex-blade runner” humano, Rick Dekard, interpretado por Harison Ford tem um cão para lhe fazer companhia durante os dias em que vive numa cidade deserta.

Ryan Goslin, Jared Leto e Robin Wright aparecem com excelentes prestações, dando corpo a um argumento coeso, juntando a Ficção Científica com o Noir, tal como no primeiro filme. Na música em vez de Vangelis, está a inspiradíssima dupla Hans Zimmer e Benjamim Wallfisch. Lembro que Zimmer deslumbrou em “Interstellar” e “Dunkirk”.

“Blade Runner 2049” é uma declaração de amor à obra de Philip K. Dick e de Ridley Scott e é uma experiência cinematográfica de grande beleza visual e intensidade dramática.



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